Mais de 100 denúncias são regsitradas por mês
Em Aracaju, todos os dias são registradas uma média de quatro ocorrências de violência contra a mulher. Segundo dados do Centro de Grupos Vulneráveis só esta semana mais de 28 denúnicas foram feitas, o que representa uma média de 102 casos de violência doméstica contra a mulher ao mês.
Durante esta semana a população sergipana presenciou vários casos graves de violência contra mulher. Um deles aconteceu na madrugada desta terça-feira(30) na cidade de São Cristóvão. O fim de um relacionamento amoroso culminou na morte da jovem Juliana Andrade dos Santos de 21 anos. O ex companheiro dela, Marcelo Santos Siqueira, 31 anos entrou na casa dela enquanto estava dormindo em companhia da mãe, Rosemeire Andrade dos Santos, 46 anos. Após atirar na ex-mulher e na ex-sogra, Marcelo disparou um tiro na própria cabeça.
Rosemeire fiocu ferida com um tiro na boca e foi levada ao Hospital de Urgência de Sergipe. Juliana morreu no local. Após receber os primeiros socorros, Marcelo acabou não resistindo aos ferimentos e morreu. Já a mãe de Juliana continua internada em estado grave.
Segundo Renata Aboim, delegada da Mulher, a maioria das agressões contra a mulher acontece dentro do lar e em mais de 80% dos casos os autores são maridos, companheiros e namorados. A delegada afirma que em boa parte dos casos a vítima pede para o processo ser arquivado.
"Embora, a violência esteja em todos os níveis sociais, quem mais presta queixa de seus companheiros são as mulheres de baixa renda. Por isso, elas pedem para o processo ser arquivado, já que dependem financeiramente deles", contou.
Nesta terça-feira ainda a dona de casa Ângela Maria de Oliveira viveu também momentos de grande aflição. Ela teve sua casa incendiada após discutir com seu companheiro, Gerson Oliveira, 35 anos. O fogo atingiu os móveis e parte do telhado da casa.
"Ele não pensou nem nos filhos, não pensou duas vezes para fazer o que fez. Ele disse que todos iam ter uma surpresa, e essa surpresa foi o incêndio", desabafa. Ela ainda acrescenta que o casal tem 03 filhos e já moravam juntos há quatro anos.
De acordo com a delegada da Mulher, Érica Magalhães, com a implantação da lei Maria da Penha a mulher passou a ter mais segurança na hora de realizar a denúncia. Antes da implantação da lei a delegacia não tinha respaldo legal, existia uma sensação de impunidade.
"A maioria dos agressores são presos em flagrantes e tudo isso é resultado da Lei Maria da Penha, que tornou as penas contra eles mais rigorosas. Após a Lei, a violência doméstica passou a ser qualquer ato que resulte em morte, lesão, sofrimento físico ou psicológico. Uma vez feita a denúncia a vítima não pode mais voltar atrás", explica a delegada, acrescentando que a mulher deve denunciar logo na primeira ameaça. "Não se pode substimar o agressor. Assim que houve a ameça o ideal já prestar queixa", alertou.
