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Sergipe

Barragem do rio Poxim normalizará abastecimento da Grande Aracaju

A Barragem do Poxim se somará à duplicação da adutora do São Francisco – responsável por 60% do fornecimento de água da região da capital – para garantir o suprimento constante da área metropolitana.

Ações de terraplenagem (Marcos Vieira)

Altura máxima de 25 metros. Cerca de 180 metros de base. Mais de um quilômetro de comprimento. E, logo à frente, um tanque com capacidade para 32 milhões de m³ em uma área de 5 milhões de m². As dimensões impressionam, mas os benefícios implícitos à estrutura que elas formam não têm medida. Isso porque os números descrevem a Barragem do rio Poxim, um complexo artifício da engenharia que o Governo de Sergipe está erguendo para ajudar a regularizar o abastecimento de água da Grande Aracaju.

O trabalho para conclusão da obra é resultado de um investimento de R$ 85 milhões. Desse montante, R$ 70 milhões são provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal, e os outros R$ 15 milhões foram aplicados pelo Governo do Estado.

Detalhe do Vertedouro da Barragem (Marco Vieira)

Situadas nas proximidades do povoado Timbó, em São Cristóvão, as obras da Barragem do Rio Poxim foram retomadas em setembro de 2008 e têm previsão de término para agosto de 2010. Atualmente, em torno de 33% de todo o projeto, que segue em ritmo normalizado, já foi executado.

De acordo com o secretário de estado da Infraestrutura, Valmor

As obras da Barragem do Rio Poxim foram retomadas em setembro de 2008 e têm previsão de término para agosto de 2010. (Marco Vieira)

Bezerra, a obra atuará como elemento regularizador do fornecimento de água para a capital e municípios adjacentes, eliminando qualquer possibilidade de realização de rodízios e medidas similares.

"O Rio Poxim é responsável por 30% do abastecimento da Grande Aracaju. Quando as chuvas que mantém o nível do rio não acontecem, temos o que aconteceu este ano: uma grande estiagem e, como consequência, o rodízio. Mas com o advento da barragem, isso não vai mais acontecer, pois a vazão do rio será controlada. Trata-se de uma obra magnífica, seja do ponto de vista dos benefícios, seja do ponto de vista da própria engenharia", frisou o secretário.

O diretor-presidente da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), Max Montalvão, explicou que a obra será complementada por diversas ações paralelas da empresa para que o fornecimento da Grande Aracaju seja pleno. "Além da obra da barragem, também iremos duplicar a estação de tratamento de água do Poxim, construir quatro grandes reservatórios na capital e implementar anéis de reforço na área de expansão que nos darão condições de melhorar o abastecimento daquela área", disse. Ainda segundo Max, a Barragem do Poxim se somará à duplicação da adutora do São Francisco - responsável por 60% do fornecimento de água da região da capital - para garantir o suprimento constante da área metropolitana. "É a junção dessas duas obras que irá assegurar o abastecimento de toda a Grande Aracaju pelos próximos vinte anos", pontuou.

Obras

De acordo com o engenheiro Carlos Melo, responsável técnico pela construção da Barragem, a edificação nivelará a oscilação de vazão que acontece no inverno e no verão no rio Poxim, promovendo, dessa forma, um abastecimento constante durante todo o ano.

"No inverno, a vazão do rio chega a 3 mil litros por segundo, fluxo superior ao que é necessário para o abastecimento da capital. No verão, entretanto, a vazão baixa para menos de 600 litros por segundo, quantidade que dificulta o fornecimento. A função da barragem será a de reduzir o alto fluxo da estação chuvosa, desviando o excesso para um reservatório. No verão, quando a quantidade de água é menor, o que está reservado é liberado, aumentando o volume do rio", explicou. Com esse mecanismo, segundo o engenheiro, a vazão do Poxim será normatizada em torno de 1,2 mil litros por segundo em qualquer uma das estações.

Até o momento, estão em curso atividades de terraplanagem e a implantação de tapetes impermeáveis e diques nas cercanias da obra, medidas que evitarão que a água transborde ou seja absorvida pelo solo quando for reservada no tanque de 32 milhões de m³. Também faz parte da execução da obra a construção do vertedouro, canal de concreto por onde a água do rio passará antes de retornar ao seu leito natural. O trecho final da estrutura consiste em um vão em desnível com 30 metros de extensão denominado ‘bacia de dissipação`. O aparato servirá para amenizar a força e a velocidade da corrente, preparando-a para voltar ao curso normal do rio e evitando alagamentos no entorno da Barragem. A estrutura do vertedouro está 90% concluída.