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Sergipe

Projeto cria Parque Ecológico em assentamento sergipano

A beleza exuberante da mata de uma área de reserva legal incrustada em um assentamento de reforma agrária, criado no Território da Cidadania do Sertão Ocidental, dará origem, em breve, ao mais novo Parque Ecológico do Estado de Sergipe. O projeto, elaborado pela prefeitura de Poço Verde, município localizado a 145 quilômetros de Aracaju, será implantado no final de agosto, em um espaço de 75 hectares que compreende a área de reserva legal do assentamento Santa Maria da Lage.

A ideia recebeu a aprovação e a adesão imediata do Incra, que vislumbra o local como um importante monumento à ecologia e à sustentabilidade na região. "A criação desse parque ecológico irá ampliar a visibilidade para uma aliança bem sucedida entre reforma agrária e preservação ambiental. Com ele, as pessoas poderão observar, na prática, um perfeito exemplo de como é possível garantir renda com sustentabilidade", projetou o superintendente regional do Incra/SE, Jorge Tadeu Jatobá Correia.

Para autorizar a utilização do local para a implantação do Parque Ecológico, na próxima semana o Incra irá solicitar a averbação da área junto à Administração Estadual do Meio Ambiente de Sergipe (Adema). Depois de averbada, a área será objeto da assinatura pelo Incra de um Termo de Cessão de Uso, que garantirá oficialmente à prefeitura municipal o direito de iniciar a implantação do projeto. O parque já recebeu a aprovação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos de Sergipe (Semarh).

Santa Maria da Lage

Criado há 11 anos, o assentamento Santa Maria da Lage é apontado como um dos exemplos mais bem sucedidos da união entre produção agrícola e preservação ambiental em Sergipe. O local, com extensas lavouras que pintam de verde a área coletiva e os 26 lotes do assentamento, é reconhecido em toda a região pela boa produtividade obtida com as culturas de milho e feijão.

Um reconhecimento que se estende também à questão ambiental, graças ao compromisso das famílias com a preservação da área de reserva do assentamento. "Aqui tem muitos animais e não deixamos ninguém entrar na área de reserva para fazer mal a eles. Até para roçar o mato e liberar a estrada do assentamento tem que pedir autorização", contou José de Jesus, 43 anos, presidente da Associação de Moradores do Santa Maria da Lage.

Segundo ele, por conhecerem a influência da vegetação sobre o clima da região, os agricultores do assentamento combatem o desmatamento, a fim de garantirem bons resultados nas lavouras. "A gente vive em uma região com longos períodos de estiagem. Sabemos que mato chama chuva. Por isso, aqui, ninguém tira daqui um tronco que seja", afirmou Jesus.