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Sergipe

Familiares de detentos denunciam ao MPE maus tratos

Familiares de detentos procuram o MPE (Foto:Kátia Susanna)

Constrangimento, maus tratos e falta de higiene. Estas são algumas das diversas reclamações feitas por familiares de detentos do presídio Santa Maria, ao Ministério Público Estadual. Segundo os familiares, as agressões físicas também são constantes por parte dos agentes penitenciários.

De acordo com a esposa de um detento, Mariana Santos, os presos tentaram falar com o diretor para denunciar os problemas, mas foram impedidos por agentes penitenciários que, segundo ela, colocam cães bravos dentro das alas para intimidar os presos todas as vezes que os mesmos tentam um diálogo com a direção. "Eles entram nas alas encapuzados e também dão choques nos parentes para intimidá-los", denunciou Mariana. A estudante Amanda Santos Oliveira também denuncia a ação dos agentes. Ela contou que é humilhada quando vai visitar o marido.

"Infelizmente estou aqui com medo porque sei que o meu marido pode até pagar por isso. Na semana passada ele apanhou muito e não sei até quando ele vai suportar ficar na sela sem tomar banho de sol", desabafou.

Constrangimento - Os familiares reclamam também sobre o tipo de averiguação feita às esposas, mães e irmãs dos detentos no momento da visita. Segundo eles, a maneira como as mulheres são revistadas é muito humilhante. "Quando fui visitar meu filho, a policial pediu para eu ficar nua de costas e agachar no chão, como não conseguir fazer a posição, fui informada que não iria visitar meu filho. Chorei muito e até hoje sinto dores nas costas", relata dona Risodalva Santos, 52 anos. A dona de casa, Lenilda de Jesus Vieira reclamou também da alimentação oferecida aos presos. Ela falou que seu filho já perdeu oito quilos desde que foi detido. "Eles colocam remédio no suco e meu filho esta ficando demente. Durante a visita não é possível levar comida, sou diabética e já passei mal porque não posso ficar muito tempo sem comer", declara Lenilda .

O vice-diretor da Unidade Prisional Santa Maria, João Marcos, rebate as denúncias dos familiares dos detentos. Ele explica que a revista é feita de forma padrão. "Todos têm uma linha de trabalho e disciplina padronizados em todos os presídios, sejam masculinos ou femininos. Não podemos abrir exceções", afirmou o diretor acrescentando que sobre as reclamações quanto à alimentação dos presos, não há irregularidades. "O promotor Deijaniro Jonas já esteve visitando a unidade prisional e não constatou nenhuma irregularidade por parte da alimentação. Inclusive ele experimentou a comida na última vez que esteve aqui e não encontrou nenhuma irregularidade. Esta informação também não procede", declarou.