Bombeiros do aeroporto deixam de dirigir veículos de emergência
Por mais que o governo queira ignorar, a insatisfação é grande dentro da corporação militar. Cada dia um grupo se posiciona em favor das diretrizes traçadas pelo movimento Tolerância Zero. No dia de hoje(13), os bombeiros que trabalham no aeroporto de Aracaju se recusaram a dirigir os carros de emergência na área caso ocorra algum acidente. Houve confusão no local e os dirigentes das Associações Unidas foram chamados para orientar os associados. O sargento Vieira explicou que recebeu um telefone dizendo que o comando do Corpo de Bombeiros estava assediando moralmente os militares para dirigir as viaturas no Aeroporto de Aracaju.
"Sabendo do ocorrido fui até o local acompanhado do advogado da associação que prestou toda a assistência aos policias. Infelizmente a segurança do aeroporto esta comprometida porque se tiver algum acidente os policiais não vão poder trabalhar dirigindo as viaturas. Outra irregularidade é que no campo de aviação, localizado no Siqueira Campos não existe nenhum agrupamento de emergência no local", denuncia Vieira.
O advogado das Associações Unidas, Joaquim Gonçalves Neto, disse o problema é que os policiais estão trabalhando no aeroporto de Aracaju normalmente, mas não podem exercer atividades para as quais não estão habilitados. "O Governo nunca concedeu o privilegio de fazer nenhum curso e agora não pode impor que os policiais peguem as viaturas`, explicou o Advogado.
Em diversos pontos da cidade é possível encontrar viaturas fechadas e os policiais fazendo a ronda a pé. A postura dos policiais tem preocupado os aracajuanos, já que a onda de assaltos cresce a cada dia na capital sergipana. "Enquanto o impasse continua quem ganha é marginalidade. Nós somos estamos cumprindo a lei", afirmou Vieira.
Preocupado com uma possível paralisação dos serviços dos bombeiros militares no Aeroporto Santa Maria, o comandante-geral do Corpo de Bombeiros garantiu que os trabalhos desenvolvidos pelos militares continuam sem qualquer tipo de alteração. "Eles compõem uma guarnição extremamente especializada e todos os integrantes deste grupamento ou são cabos ou ainda sargentos, cuja ascensão na carreira depende de cursos, inclusive o de direção defensiva e técnicas para operar viaturas complexas como as que atendem vítimas em situações de emergência. Este efetivo forma o quadro de condutores e operadores, cuja criação e normatização estão previstas na Lei de fixação de efetivo do Corpo de Bombeiros", explicou o coronel Naílson.
Debates - A questão sobre a situação dos policiais militares tem mobilizado toda a sociedade sergipana. O assunto tem gerado discussões e debates em diversos segmentos. Hoje(13) aconteceu uma reunião na sede do Partido Socialista Brasileiro. Participaram da reunião os representantes das associações unidas, o Conselho de Segurança e lideranças políticas. "O senador Valadares e o deputado federal Jackson Barreto disseram que vão conversar urgentemente com o governador. Eles disseram que a situação não pode ficar como está", disse o representante do Conselho de Segurança. Manoel Messias .
Na Assembléia Legislativa a questão foi colocada pelo procurador de Justiça Jarbas Adelino Santos Júnior, da 6ª Vara Criminal do Estado de Sergipe, ele falou sobre a ‘Legislação Militar e o Papel do Ministério Público na Defesa da Segurança do Cidadão`. Na ocasião, questionado sobre o processo dos quatro militares acusados de motim o jurista disse que tem boa vontade, mas não pode mudar a lei.
"Eu sirvo à sociedade. Não sirvo ao governador, nem deste nem de governos anteriores. É preciso deixar claro que o entendimento que eu tive até agora pode não ser sustentado até o final deste caso", esclarece o promotor, lembrando o cantor e compositor Raul Seixas, quando disse "eu prefiro ser esta metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo".
