Líder comunitário é acusado de vender carro doado pela SSP
carro doado/SSP (foto: Tamires Franci)
A falta de viaturas nas Policias Civil e Militar de Sergipe é um assunto que sempre esteve em pauta e que parece de difícil solução. É comum pessoas irem até as delegacias em busca de ajuda da policia e esbarrar na falta de carros para fazer diligências. Mesmo com a frota reduzida, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) vem fazendo doações de viaturas, todas em bom estado de conservação, para associações comunitárias da capital e do interior do Estado. O mais agravante é que já tem associação de moradores vendendo o veículo doado.
carro doado/SSP (foto: Tamires Franci)
A Associação do Povoado Várzea da Onça, no município de Muribeca foi uma das beneficiadas com a doação, mas também foi uma das que venderam o veículo repassado pela SSP. O carro foi adquirido pelo comerciante José Luiz de Souza Filho que tem uma agência de veículos usados na rua Divina Pastora 810.
O negócio teria sido feito diretamente com o presidente da Associação de Moradores do Povoado Várzea da Onça Jean Nascimento ex- presidente da Câmara Municipal de Muribeca. Em conversa, por telefone, ele admitiu que a entidade foi contemplada com um veículo com um Fiat Uno, mas omitiu o outro carro doado, a caminhonete S-10, justamente a que teria vendido.
O caso foi levado a SSP pelo Atalaia Agora. Ao diretor do Departamento de Transportes da Secretaria de Segurança Pública, João Bosco, o presidente da Associação de Moradores disse que a S-10 havia sido colocada em um agência de automóveis para ser plotado com o nome da entidade. Ele nega a transação comercial, mas não conseguiu explicar porque a documentação já está em nome do comerciante, José Luiz de Souza Filho, proprietário da loja de veículos usados.
. Mais uma vez a equipe do Atalaia Agora voltou à loja e, no momento, que buscava novas informações sobre o assunto, flagrou a caminhonete sendo retirada da agência para local não informado. Nos últimos meses, a SSP doou cerca de 20 veículos a associações de moradores, prefeituras, Secretarias de estado e até a um órgão federal.
Veja a lista dos veículos doados e os respectivos beneficiados:
1- Prefeitura Municipal de Arauá
UNO MILE- HZW-3755
UNO MILE- HZW- 0356
2- Prefeitura Municipal de Barra dos Coqueiros
SIENA- HZW 3615
SANTANA- HZX-8256
SANTANA- HZX-8256
SANTANA- HZY-4648
SANTANA- HZK-7768
3- Associação Várzea Grande (Muribeca)
S10- HZW-9256
4- Associação Guiomar Dias (Maruim)
SIENA- HZW-3095
5- ESSA- Esp. Solidário Santo Antônio
IPANEMA- HZE-2057
UNO MILE- HZV-9128
6- Soldados Mirins
UNO MILE- HZV-7978
7- CSM- Circunscrição de Serviço Militar
SANTANA- HZX-1677
SANTANA- HZY-4698
8- SEJUC- Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania
CORSA- HZV-4158
SANTANA- HZY-4718
PARATI- HZR-8992
9- SEED- Secretaria de Estado da Educação
S-10- HZX-5116
SSP explica
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), os veículos são doados para organizações e administrações municipais que necessitam das viaturas para serviços importantes à comunidade. A assessoria afirma que é feita uma avaliação técnica por parte da Divisão de Transporte da SSP em todos os carros para saber quais têm ou não condições de serem aproveitados para a atividade policial.
Os veículos fora de parâmetros são doados, mas o repasse apenas é consumado com a avaliação e autorização da Procuradoria Geral do Estado (PGE), assegura a assessoria ao acrescentar que as denúncias de venda de carros doados à Associações será cuidadosamente investigada, para que medidas cabíveis sejam tomadas.
Quanto à falta de viaturas, a SSP esclarece que em 2007 realizou duas licitações para adquirir veículos. Em uma delas foram licitados 200 veículos populares, 20 executivos e 15 utilitários. As locações dos veículos populares custam mensalmente R$ 274.699, os carros executivos R$ 41.948 e as pick-ups R$ 67.825,00. Na segunda licitação, foram locados de 235 novas viaturas para a realização do policiamento ostensivo e investigativo na capital e interior do Estado. A nova licitação gerou para os cofres públicos uma economia de cerca de R$ 1,7 milhão por ano, segundo cálculos da SSP.
"Caso algum cidadão chegue em um PAC ou em uma Delegacia ou ainda acione o 190 e algum servidor diga que não tem carro ou combustível para realizar o atendimento, o cidadão deve identificar o policial e fazer o registro na Corregedoria das Corporação para que a situação possa ser registrada. Hoje a SSP dispõe de uma frota de veículos adequada, nova, coerente à atividade da polícia e que está pronta para atender ao cidadão", garante a assessoria de comunicação.
