"Eu só pedia para ficar viva", lembra vítima de tentativa de feminicídio dentro do Senai em Aracaju
Mulher conversou com o repórter Marcos Couto
redação Portal A8SE
A vítima de uma tentativa de feminicídio no mês passado dentro do prédio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), na zona sul de Aracaju, falou pela primeira vez sobre a cena de medo que viveu. A mulher trabalhava quando o ex-companheiro, identificado como José Waldson de Matos, invadiu o local e disparou três tiros - no braço e na região do abdômen.
Maria Jaqueline Alves dos Santos, 42 anos, recebeu alta após passar por procedimentos cirúrgicos e ficar internada no Hospital de Urgência de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse). O ex-companheiro não aceitava o fim do casamento, que durou 27 anos, e já tinha realizado ameaças por meio do telefone. "Eu peço justiça porque desde o dia que separou, ele não deixava de mandar mensagem porque tinha que fazer ela voltar para ele de qualquer jeito", relata a mãe.
Jaqueline está abalada com o acontecimento, temendo sair de casa e ser novamente atacada. "Nós sentamos e conversamos, entramos em acordo que a melhor forma era a separação [...] Eu disse que não voltaria mais e ele começou a me ameaçar", detalha Jaqueline.
Ainda segundo a vítima, ela prestou queixa e conseguiu medida protetiva há cerca de um mês. "Eu estava na minha sala quando de repente ele invadiu a sala, pediu para todo mundo baixar a cabeça e disse que ninguém se metesse. Pedi calma para conversar e ele disse que não, porque tinha dado parte dele. Foi quando ele disparou os três tiros, me defendi com meu braço e depois me escondi embaixo da mesa e ele saiu da sala. [...] Eu só chamava por Deus e pedia para ficar viva", relembra.
Ela teme que o homem seja solto por ser réu primário e espera que a justiça seja feita.
Eu não tenho raiva dele pelo que fez comigo, só quero que ele pague o que fez comigo
