Após um mês da morte de Genivaldo de Jesus, caso segue sem resposta
Genivaldo sofria com esquizofrenia e morreu após abordagem realizada pela Polícia Rodoviária Federal
redação Portal A8SE
Genivaldo de Jesus Santos, de 38 anos, sofria com esquizofrenia e morreu após abordagem realizada pela Polícia Rodoviária Federal na cidade de Umbaúba, sul sergipano, há um mês.
O caso
Era quarta-feira, dia 25 de maio, quando Genivaldo pegou a motocicleta de um familiar e foi para casa, mas não chegou lá. No meio do percurso, ele foi abordado por uma equipe da Polícia Rodoviária Federal (PRF) por não usar capacete.
Imobilizado, com mãos e pés amarrados, o homem foi colocado dentro do porta-malas da viatura. Lá, foi liberado gás lacrimogêneo, como aponta a perícia realizada posteriormente.
Em vídeos gravados por populares é possível ver que ele se debate e tenta fugir do gás. Pessoas que estavam no local, gritavam "ele vai morrer". No entanto, a ação policial continuou. Em nota divulgada pela PRF/SE, na época, o órgão afirma que ele saiu com vida e passou mal no meio do trajeto à delegacia, quando foi conduzido para unidade hospitalar, porém, segundo familiares, ele já estava sem vida.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) aponta que Genivaldo morreu por asfixia e insuficiência respiratória.
Hoje, 25 de junho, o caso segue sem respostas. Os policiais envolvidos são investigados e respondem a um processo administrativo em liberdade.
Nomes de policiais envolvidos em abordagem que vitimou Genivaldo são divulgados
Ministério Público Federal investiga possível ocultação de informações
A última atualização sobre o caso dá conta que o Ministério Público Federal em Sergipe abriu uma investigação para apurar se a PRF esconde elementos sobre os procedimentos administrativos dos agentes após a instituição negar o compartilhamento de informações de interesse público.
Prorrogação do prazo do inquérito
No último dia 21, a Polícia Federal solicitou ao Ministério Público Federal a prorrogação do prazo, em 30 dias, para conclusão do inquérito. A justificativa dada pela corporação foi que a PF aguarda a apresentação de laudos periciais requisitados ao Instituto Médico Legal e à Diretoria Técnico-Científica da PF, que são "indispensáveis para a finalização da investigação".
Pedido de prisão
A Justiça Federal em Sergipe negou o pedido de prisão dos três policiais rodoviários federais. A solicitação foi feita pelos advogados da família da vítima, que alegaram suspeita de fraude processual.
A decisão considera que pedido de prisão preventiva dos agentes só deve ser solicitado pela autoridade policial e Ministério Público Federal (MPF).
A advogada da família de Genivaldo, Monalisa Batista, relatou angústia por ver que nada foi feito em relação a penalidade dos policiais que participaram da abordagem.
“O que a família e os advogados temiam desde o início era justamente isso que vem acontecendo, o caso cair no esquecimento e os autores sairem impunes. Não entendemos o porque desse procedimento tão burocrático, quando por muito menos, inquéritos são concluídos com menos indícios.
A família reitera o pedido de celeridade e transparência nas informações, até porque foi nos passado que em 30 dias finalizariam o inquérito, o que não foi cumprido.
[…] ate que o inquérito venha ser concluído, a família está de mãos atadas, mas, esperando que ao final do inquérito, os autores tenham a justa é devida responsabilização”, finalizou.
