Motorista de aplicativo preso após assalto conhecia criminosos e adulterou placa do carro, diz SSP
Outros dois suspeitos de envolvimento no crime, que continuam presos, confirmam participação do motorista de aplicativo no assalto.
Redação do Portal A8SE
O motorista de aplicativo Jefferson Adriano dos Santos, preso com outros dois homens após um assalto praticado na Zona Sul de Aracaju, conhecia os criminosos e teria adulterado a placa do carro momentos antes da investida. A declaração foi dada pelos suspeitos em depoimento na Central de Flagrantes há 13 dias.
Na declaração divulgada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), ele afirma que um dos envolvidos era seu amigo de infância e sugeriu dar voltas no carro, dizendo que pagaria "um dinheiro bom" pela noite de trabalho.
O motorista também relata que buscou um adolescente e, durante o trajeto, os dois desceram do carro, puxaram facas e uma pistola para subtrair celulares das vítimas. No entanto, ambos alegaram que Jefferson Adriano aguardou dentro do veículo enquanto realizavam o primeiro delito e participou diretamente da segunda ação em posse de uma faca.
Em relação à adulteração da placa, o segundo acusado disse que a modificação foi feita com pedaços de fita isolantes pelo próprio condutor do carro, que era de propriedade do sogro.
A prisão ocorreu no terceiro roubo, quando a Polícia Militar conseguiu localizar um dos celulares subtraídos e identificou o veículo. Um simulacro de arma de fogo, jogado pela janela do carro durante a abordagem, também foi apreendido.
Diante dos depoimentos prestados, a Justiça converteu a prisão dos flagranteados em preventiva, chegando a negar um pedido de soltura feito pela defesa do motorista de aplicativo, a qual tenta provar a inocência do cliente. Ele, por sua vez, teve a liberdade concedida através de um habeas corpus na última quarta-feira (3), enquanto os outros permanecem presos.
A desembargadora Elvira de Almeida determinou cumprimento de medidas cautelares no andamento do processo, embora existisse entedimento da materialidade do envolvimento dele nos crimes. Quanto as supostas agressões sofridas durante a abordagem policial, ela explicou que todas as providências já estão sendo tomadas e pediu exame pericial da lesão corporal, além de apurar a conduta dos militares.
O caso continua sendo investigado pela Delegacia Especial de Turismo (DETUR) da Polícia Civil.
Entenda o caso
O motorista de aplicativo alegou que foi coagido a dirigir para os outros dois assaltantes armados com pistola e faca. Ele também foi indiciado como suspeito de participar da ação, mas familiares alegam inocência e injúria racial.
Segundo eles, o profissional estava encerrando uma corrida solicitada por um passageiro, quando foi rendido por dois criminosos e coagido a dirigir o carro contra sua vontade enquanto realizavam um arrastão.
"Meu esposo foi espancado, meu esposo está com dente quebrado, foi negado atendimento. É mais um negro que está pagando por um crime que não cometeu", disse a esposa da vítima.
Jefferson Adriano tem duas filhas, fruto de seu casamento, e também trabalha com transporte escolar. Ele atuou como segurança durante 13 anos, é reservista do exército e participou de missões de paz no Haiti, sendo condecorado pela Organização das Nações Unidas (ONU).
