Zelaya e golpistas chegam a acordo para por fim à crise
Os negociadores do governo golpista de Honduras e os do presidente deposto Manuel Zelaya assinaram na madrugada desta sexta (30) um acordo para por fim à crise política do país, que se arrasta há quatro meses. Os representantes do presidente interino Roberto Micheletti concordaram que Zelaya possa voltar à Presidência, mas a decisão final deve ser do Congresso hondurenho.
O anúncio foi feito pelo secretário de Assuntos Políticos da Organização dos Estados Americanos (OEA), Víctor Rico, em companhia do subsecretário de Estado americano para a América Latina, Thomas Shannon (que foi indicado por Barack Obama para assumir a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil).
O acordo
O acordo foi assinado após 12 horas de negociações entra as duas partes. Os representantes de Zelaya e Micheletti voltaram a se falar após uma semana de conversas emperradas.
Os principais pontos do acordo são:
- A criação de um governo de reconciliação nacional (com a participação dos dois grupos) até a posse do novo presidente (as próximas eleições estão marcadas para 29 de novembro).
- Dar ao Congresso Nacional a tarefa de decidir se Zelaya volta ou não ao poder (Micheletti não aceitava a volta do presidente deposto, depois concordou que a decisão deveria ser da Suprema Corte, do que Zelaya discordava).
- Desistência de uma nova Constituição (a convocatória de uma Assembleia Constituinte por Zelaya foi o estopim da crise, já que o presidente deposto queria aprovar uma emenda para reeleição, rechaçada pelo grupo de Micheletti).
- Reconhecer as eleições de 29 de novembro e pedir à comunidade internacional que normalize as relações com Honduras.
