Milhares se despedem da ex-presidente filipina Corazón Aquino
Cortejo refez o trajeto percorrido nas ruas de Manila na revolta popular liderada poe ela contra a ditadura
Milhares se despedem da ex-presidente filipina Corazón Aquino (AP)
Vestidos da mesma cor amarela que em 1986 identificava os opositores, os fãs de Aquino reviveram aquele momento histórico entoando canções anti-Marcos como o "Bayan Ko" e fazendo com a mão o sinal do "laban" (luta) como símbolo da resistência à ditadura.O amarelo dominou toda a marcha, desde o tecido que cobria o caixão até a chuva de confete lançada no distrito financeiro de Makati, onde a comitiva passou pelos arranha-céus que ladeiam a Ayala Avenue.
Corazón Aquino morreu no sábado passado de câncer aos 76 anos. Com o assassinato, em 1983, de seu marido, o líder oposicionista Benigno Aquino, Corazón encabeçou a resistência à ditadura de Ferdinando Marcos. O movimento pacífico, que inspirou protestos em todo o mundo, levou mais de 1 milhão de filipinos, munidos apenas de rosários e flores, a enfrentar tanques do governo. Após 20 anos no comando de um regime extremamente repressivo, Ferdinando Marco fugiu do país.
A presidência de Corazón, no entanto, não foi tão bem sucedida. Ex-dona de casa, ela relutou em assumir o governo. No poder, sobreviveu a sete tentativas de golpe de Estado pelos militares. Corazón não conseguiu promover a reforma agrária que prometeu e foi considerada uma líder fraca e indecisa, especialmente nas questões econômicas. Enfrentou uma persistente insurgência comunista e vários desastres naturais: tufões, enchentes, secas, um terremoto de grandes proporções e uma erupção vulcânica. No entanto, em seu governo, foi escrita a nova Constituição filipina, que estabeleceu o mandato presidencial de seis anos.
Fonte: Efe
