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Líder supremo do Irã confirma Ahmadinejad na presidência

Aiatolá Ali Khamenei dá apoio formal à vitória do presidente nas eleições de junho; posse será nesta 4ª feira

Aiatolá Ali Khamenei (à esq.) e Mahmoud Ahmadinejad, em imagem da TV (AP)

O supremo líder do Irã, aiatolá Ali Khamenei, endossou formalmente Mahmoud Ahmadinejad como vencedor da eleição presidencial realizada no último dia 12 de junho, segundo noticiou nesta segunda-feira, 3, a emissora de televisão estatal do país. O apoio formal do aiatolá ocorre dois dias antes da posse de Ahmadinejad para seu segundo mandato.
A formalização ocorre ainda em meio a acusações de que oposicionistas que protestaram contra o resultado das eleições, em junho, teriam sido torturados na prisão. Mais de cem oposicionistas, entre eles figuras importantes de antigos governos reformistas, foram julgados no sábado por acusações como vandalismo, tumulto e conspiração.
Khamenei saudou a votação "sem precedentes" que garantiu um novo mandato ao governante. "A votação decisiva e sem precedentes do povo para o presidente respeitado e eleito é um aval para o nono mandato de quatro anos de governo", afirmou o líder supremo num decreto que confirma Ahmadinejad como presidente. Khamenei também elogiou Ahmadinejad como "corajoso, astuto e trabalhador". Segundo a tevê estatal Al-Alam, o líder supremo declarou ainda que "o povo iraniano votou em favor de uma luta contra a arrogância, para confrontar a miséria e disseminar a justiça".
Segundo a televisão oficial iraniana, o ato realizado na mesquita xiita Imame Khomeini teve a presença dos chefes dos três poderes, membros do Conselho de Guardiães, membros do Parlamento islâmico e outras autoridades civis e militares, assim como o corpo diplomático credenciado em Teerã. No entanto, destacou-se a ausência do chefe da Assembleia de Especialistas, aiatolá Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, e proeminentes personalidades reformistas, como o ex-presidente iraniano Mohamad Khatami.
O artigo 110 da Constituição iraniana estabelece que o presidente eleito tem que receber a aprovação do líder supremo iraniano, ato que aconteceu perante as mais importantes autoridades do Irã. Assim, Ahmadinejad, sob cujo governo aumentou o desemprego, a inflação e a marginalização internacional do Irã, foi ratificado na Presidência para outro mandato de quatro anos.
Julgamentos de opositores
Opositores e até políticos de linha dura no Irã criticaram o julgamento dos manifestantes que foram às ruas protestar contra o resultado da eleição de 12 de junho, que reelegeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad, que assume quarta-feira seu segundo mandato. Mais de 100 pessoas começaram a ser julgadas no fim de semana, em uma audiência vista pela oposição como ilegal.
A principal acusação de tortura partiu do candidato derrotado à Presidência Mir Hossein Mousavi. No domingo, ele disse que as confissões apresentadas pelos réus no julgamento foram obtidas sob "tortura medieval". No julgamento, os réus disseram à corte que as alegações de fraude nas eleições eram "infundadas".
Segundo a BBC, outro importante nome da oposição iraniana, o ex-presidente Mohammad Khatami, criticou o julgamento e disse que as confissões dos réus foram forçadas e são "inválidas". Em seu site, Khatami afirmou que o "julgamento de fachada" vai prejudicar a confiança no regime islâmico do Irã. "O que ocorreu é contra a Constituição, as leis normais e os direitos dos cidadãos", disse Khatami, que governou o Irã de 1997 a 2005. "O principal problema com este julgamento é que ele não foi realizado em sessão aberta. Os advogados e os réus não foram informados sobre o conteúdo dos casos antes do julgamento", afirmou o ex-presidente.
O julgamento recebeu críticas até mesmo de Mohsen Rezai, o candidato conservador que também disputou as eleições de junho. Rezai disse que as pessoas que atacaram os manifestantes nos protestos após as eleições também deveriam ser julgadas.
As audiências foram a última cartada do governo para sufocar as acusações de que as eleições foram fraudadas. É a primeira vez desde a Revolução Islâmica de 1979 que dezenas de funcionários de alto escalão - entre eles, ministros, vice-presidentes e parlamentares - vão parar no banco dos réus. Imagens de TV mostraram, entre os jovens, políticos conhecidos, como o vice-presidente Mohammad Ali Abtahi (o Irã tem vários vices).

Segundo a agência oficial Irna, as acusações contra os manifestantes vão de atentar contra a segurança nacional a planejar protestos, passando por conspiração, ataques a prédios do governo e a forças militares.

Fonte: Estadão