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Zelaya diz que quer retornar a Honduras "pela via pacífica"

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou que deve voltar pela "via pacífica" a seu país e, embora esteja disposto a assumir as rédeas do governo, prometeu não participar dar próximas eleições, marcadas para novembro. As declarações foram feitas durante entrevista à revista alemã "Der Spiegel", que será publicada nesta segunda-feira.

"Quero preparar meu retorno pela via pacífica. Honduras deve saber: estou disposto a assumir o país no momento oportuno. Por enquanto, organizamos a resistência", afirmou Zelaya.

Na entrevista, o presidente deposto insistiu que está disposto a aceitar o plano de paz do presidente costa-riquenho, Óscar Arias, e afirmou que "as negociações são a única via" para encontrar uma solução.

No entanto, ele disse acreditar que o plano de Arias só poderá ter êxito se forem reforçadas ainda mais as pressões internacionais.

"A comunidade internacional deve aumentar a pressão sobre os golpistas para conseguir que os golpes não se transformem em uma pandemia que colocaria em perigo a estabilidade de todo o continente."

Zelaya ainda advertiu que uma proliferação de revoltas na América Latina teria um alto preço para os Estados Unidos e a Europa.

Segundo ele, as primeiras medidas de pressão já surtem efeito, como a retirada pelos EUA dos vistos diplomáticos aos golpistas, assim como algumas sanções econômicas.

"Em alguns portos, não se descarregam mais produtos que venham de Honduras. A empresa alemã Adidas, assim como a Nike e a Gap, anunciou que cancelará as encomendas em Honduras se não for restabelecida a democracia", afirmou.

Zelaya acha, no entanto, que o governo do presidente americano, Barack Obama, apesar de "ter boas intenções", não foi suficientemente longe e "deveria perseguir os golpistas com mais decisão, para evitar que se repita este tipo de golpe de Estado".

Embora tenha dito que está disposto a retomar as rédeas do governo, ele disse que não se apresentará às próximas eleições, mesmo que elas sejam antecipadas.

"Por mim, mesmo que aconteçam amanhã, não penso em me apresentar. Trabalho sobre um grande plano de reformas sociais. Só mudamos a estratégia, a luta continua", concluiu.

Histórico

Zelaya foi deposto nas primeiras horas do dia 28 de junho, dia em que pretendia realizar uma consulta popular sobre mudanças constitucionais que havia sido considerada ilegal pela Justiça. Com apoio da Suprema Corte e do Congresso, militares detiveram Zelaya e o expulsaram do país, sob a alegação de que o presidente pretendia infringir a Constituição ao tentar passar por cima da cláusula pétrea que impede reeleições no país.

O presidente deposto, cujo mandato termina no início do próximo ano, nega que pretendesse continuar no poder e se apoia na rejeição internacional ao que é amplamente considerado um golpe de Estado --e no auxílio financeiro, político e logístico do presidente venezuelano, Hugo Chávez-- para desafiar a autoridade do presidente interino, Roberto Micheletti, e retomar o poder.

Isolado internacionalmente, o presidente interino resiste à pressão externa para que Zelaya seja restituído e governa um país aparentemente dividido em relação à destituição, mas com uma elite política e militar --além da cúpula da Igreja Católica-- unida em torno da interpretação de que houve uma sucessão legítima de poder e de que a Presidência será entregue apenas ao presidente eleito em novembro --as eleições estavam marcadas antes da crise.

Fonte: Efe