Clérigo radical acusa EUA de planejar atentados em Jacarta
O clérigo radical islâmico indonésio Abu Bakar Bashir acusou os serviços de inteligência dos Estados Unidos de ter organizado os atentados cometidos em dois hotéis de luxo de Jacarta na quinta-feira passada (16), nos quais nove pessoas morreram, saldo que incluiria os dois homens-bomba.
Considerado como o líder espiritual do grupo islâmico terrorista Jemaah Islamiya, o braço da rede terrorista Al Qaeda no Sudeste Asiático, Bashir denunciou que a CIA, a agência de inteligência americana, está por trás das duas explosões em hotéis de luxo no centro da capital, segundo o jornal "The Jakarta Globe".
"É a CIA, exatamente como nos atentados de Bali. A CIA dirigiu os mujahedins que queriam participar da jihad [guerra santa]", afirmou o clérigo. "Não é simples entrar e sair de um hotel levando uma bomba, mesmo se levá-la por partes. Por isso, tenho meus motivos para dizer que isto tem que ser um plano da CIA para desacreditar o Islã", argumentou Bashir.
A polícia indonésia continua investigando o duplo atentado, um dia depois de divulgar os retratos dos dois supostos terroristas suicidas e de interrogar uma das supostas mulheres de Noordin Mohammed Top, considerado como o mentor do atentado.
A principal linha de investigação se centra em uma facção radical da Jemaah Islamiya liderada pelo malaio, especialista em fabricar bombas e o terrorista islamita mais procurado do Sudeste Asiático. Top é acusado de ser um dos responsáveis pelos atentados de Bali de 2002 e de planejar outras ações terroristas.
Bashir se negou a condenar a ação terrorista e ressaltou que "EUA e Austrália não vencerão" e que estão "aterrorizados" diante da Al Qaeda.
Bashir foi preso por envolvimento com os atentados de Bali em 2002, que mataram 202 pessoas. Ele argumenta que os islamitas indonésios não estão capacitados para elaborar bombas sofisticadas.
Ataques
Aparentemente coordenados, os ataques ocorreram durante a manhã desta sexta-feira no horário local, um momento de movimentação nos hotéis. As explosões atingiram o restaurante do Marriott e o porão do Ritz-Carlton, que ficam no luxuoso bairro Kinigan e estavam cheios de turistas e empresários estrangeiros, a maior parte deles australianos e europeus.
O primeiro atingido foi o Marriott, às 7h50 (21h50 de quinta-feira em Brasília). O hotel ficou com sua fachada parcialmente destruída. Testemunhas afirmam ter ouvido uma forte explosão que destruiu vidros de janelas em um raio de dezenas de metros. Segundo relatos, a segunda explosão ocorreu minutos depois e destruiu parte da fechada do hotel Ritz Carlton.
Fonte: Efe
