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1 ano após resgate, Ingrid Betancourt prepara livro e filme

Ex-refém das Farc diz que trabalha em longa com produtores de Hollywood e publicará relato em 2010

A ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Ingrid Betancourt, terminará de escrever seu livro neste ano e já trabalha com uma produtora de Hollywood no longa sobre os mais de 6 anos que passou sequestrada pela guerrilha colombiana. No primeiro aniversário da Operação que resgatou a ex-candidata à Presidência, três americanos e 11 policiais e militares, Ingrid relembrou os momentos de sua libertação em entrevista para a rádio colombiana Caracol.

Segundo Ingrid, os detalhes da operação militar e os mais de 6 anos em que esteve no cativeiro serão narrados no livro que deve chegar às livrarias no início de 2010. "Será um momento de intimidade muito grande com todas as pessoas que seguiram essa história e que me acompanharam, porque acredito que o livro tem essa magia e a possibilidade de que o leitor entre muito intimamente em contato com o outro", afirmou.

A ex-refém disse que a obra será um texto de introspecção, em que revive cada instante de seu sequestro, em 22 de fevereiro de 2002, em uma estrada no sul do país. "Cada leitor vai se vestir de Ingrid e sentir o que eu sentia: as dores físicas, a fome, o calor, as pressões, humilhações e tristezas".

Além disso, já trabalha no filme sobre seu sequestro com Kathleen Kennedy, a produtora associada de Steven Spielberg e que trabalhou em longas como E.T. - O Extraterrestre, A Lista de Schindler e O Curioso Caso de Benjamin Button. "O projeto do filme vai bem, estamos antecipando o mesmo com uma das pessoas mais extraordinárias da indústria do cinema em Hollywood". Ela não deu destaques das gravações, mas afirmou que é um projeto que "toma o seu tempo". "Isso também me entusiasma muito, vai me tomar um longo tempo, depois veremos o que vai ser da minha vida", afirmou.

No entanto, esses projetos não tirarão seu tempo para continuar trabalhando pelas pessoas que continuam sequestradas na Colômbia, as quais prometeu que, em breve recuperarão sua liberdade, e ela se encarregará de cumprir seus sonhos. Ingrid disse que a cada manhã agradece a Deus por seu resgate, explicado que "a liberdade é para a alma como o oxigênio é para o corpo".

Ingrid fez um agradecimento especial aos governos de Colômbia, Venezuela e França. "Eu quis mencionar obviamente o presidente [da Colômbia, Álvaro] Uribe, porque foi quem permitiu que isso acontecesse, eu tenho uma grande admiração e respeito por ele". Ela também agradeceu ao venezuelano Hugo Chávez, por ter conseguido "a libertação de muitos de meus companheiros" e pediu que este gesto não seja esquecido. O mandatário atuou como mediador entre o governo colombiano e as Farc no ano de 2007.

Sobre o presidente francês, Nicolas Sarkozy, Ingrid afirmou que seu trabalho consistiu em levar "o tema dos reféns à opinião pública mundial" e fez com que o "mundo inteiro soubesse do que estava ocorrendo". "Sem essa exposição", tal operação [que possibilitou sua libertação] "não teria ocorrido", disse. "Todos eles foram peças indispensáveis no quebra-cabeça montado para nossa libertação", afirmou a franco-colombiana.

Fonte: Estadão