Mousavi diz que é pressionado para retirar denúncias eleitorais
Líder da oposição diz pela 1ª vez que está sendo isolado por autoridades para que não apareça em público
O candidato reformista derrotado e líder da oposição Mir Hussein Mousavi afirmou em seu site nesta quinta-feira, 25, que está sendo pressionado para retirar sua demanda de anulação das eleições que garantiram a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad. Mousavi disse ainda que seu acesso à população está sendo restringido e que a nação iraniana tem o direito de protestar contra o resultado eleitoral.
Mousavi, que tem aparecido raras vezes em público desde a eleição do dia 12 de junho, falou pela primeira vez que está sendo isolado pelas autoridades iranianas. Ele denunciou uma fraude massiva na disputa presidencial e insiste que é o legítimo ganhador da votação. O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, declarou Ahmadinejad como vencedor e afirmou que a eleição não será anulada. "Não me absterei de garantir os direitos do povo iraniano por causa de interesses pessoais ou medo de ameaças", garante ele em declaração publicada na página de seu jornal, o Kalemeh, na internet.
"Insisto que a nação tem o direito constitucional de protestar contra o resultado da eleição e suas consequências. Critico duramente o fechamento do jornal Kalameh-ye Sabz e a prisão dos que trabalhavam no local. A confrontação ilegal com a mídia abre caminho para a interferência estrangeira", afirmou Mousavi, para quem medidas ilegais como o fechamento de jornais levará a sociedade a buscar informação na mídia internacional.
A oposição iraniana decidiu suspender concentração prevista para esta quinta, depois da forte repressão nesta quarta-feira da polícia e os grupos de milicianos islâmicos Basij, ligados ao governo, de uma manifestação contra o Parlamento. Segundo explicaram os partidários do clérigo reformista Mehdi Karroubi, também derrotado nas eleições, ficou decidido cancelar a cerimônia que seria realizada em lembrança às pessoas mortas nos últimos 13 dias de protestos pelo resultado das eleições presidenciais de 12 de junho.
O Irã é palco há quase duas semanas de mobilizações e enfrentamentos nos quais morreram pelo menos 20 pessoas, segundo fontes oficiais. As manifestações foram organizadas pelos três candidatos perdedores das eleições, que denunciaram uma grande fraude em favor do atual presidente, o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, que obteve uma inesperada vitória no primeiro turno. O regime iraniano, no entanto, acusou países ocidentais, especialmente Estados Unidos e Reino Unido, de conspirar com o objetivo de forçar o que Teerã chama de "uma revolução de veludo".
Fonte: Estadão
