Recontagem parcial confirma resultado da eleição no Irã, diz TV
A televisão estatal iraniana anunciou nesta quarta-feira, 24, que uma recontagem parcial dos votos na contestada eleição presidencial de 12 de junho confirmou o resultado. Os números oficiais divulgados um dia após a eleição indicaram a vitória esmagadora do presidente Mahmoud Ahmadinejad, mas seu principal rival, Mirhossein Mousavi, disse que a eleição foi fraudulenta e pediu sua anulação.
A emissora estatal iraniana em língua inglesa Press TV anunciou em manchete: "Irã: recontagem parcial dos votos confirma resultado da eleição", mas não deu mais detalhes. O mais alto órgão legislativo do Irã, o Conselho dos Guardiães, tinha dito anteriormente que estaria disposto a recontar 10% dos votos, escolhidos aleatoriamente, mas não ficou claro de imediato se a Press TV estava se referindo a essa recontagem.
No início da semana, um porta-voz do Conselho, que precisa aprovar o resultado, voltou a descartar a possibilidade de anulação da eleição, dizendo que não foram constatadas grandes irregularidades. Na terça-feira, porém, o líder supremo aiatolá Ali Khamenei aprovou um pedido do Conselho de aumentar em dez dias o prazo final para serem recebidas e analisadas queixas sobre a eleição.
Composto de 12 membros - seis clérigos de alto escalão indicados pelo Líder Supremo e seis juristas islâmicos -, o Conselho precisa assegurar que todas as leis obedeçam à lei islâmica da sharia e à Constituição iraniana. O órgão também faz uma avaliação prévia dos pré-candidatos em eleições presidenciais.
Nesta quarta-feira, Khamenei assegurou que as autoridades do país não serão dobradas pelos protestos que afetam Teerã desde as eleições. "Nos últimos incidentes ligados à eleição, eu tenho insistido na aplicação da lei, e assim continuarei. Isto significa que ninguém ficará acima da lei", declarou ele. "Nem o sistema nem o povo serão dobrados pela força", assegurou.
Pela linguagem empregada pelo líder supremo iraniano, as declarações referem-se exclusivamente à pressão interna. Na última sexta-feira, Khamenei disse durante um sermão transmitido em rede nacional que Ahmadinejad foi o vencedor legítimo do pleito, sendo reeleito para um novo mandato de quatro anos.
Ele pediu aos simpatizantes da oposição que parassem com os protestos e acusou os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e outras potências estrangeiras de instigarem as manifestações. De acordo com a mídia estatal iraniana, pelo menos 17 pessoas morreram nos protestos contra o resultado. A oposição acusa
Ahmadinejad de ter sido reeleito por meio de fraude.
CONFRONTOS
Manifestantes e a polícia se enfrentaram nesta quarta-feira nas ruas de Teerã próximas ao Parlamento, segundo testemunhas. Três pessoas disseram que centenas de manifestantes se reuniram em frente ao edifício, violando a ordem do regime pelo fim das manifestações contra o resultado da recente eleição
presidencial.
As testemunhas, que falaram sob condição de anonimato, disseram que a polícia reprimiu os manifestantes com cassetetes, gás lacrimogêneo e disparos para o ar. Algumas pessoas enfrentaram
os policiais, enquanto outros fugiam para outra praça, dois quilômetros ao norte.
Vídeos pela internet mostravam homens e mulheres jovens atirando pedras e levantando barricadas, uma delas em chamas, na rua. Outros gritavam "morte ao ditador". Não foi possível verificar a autenticidade dos vídeos, pelas restrições impostas pelo governo iraniano ao trabalho da imprensa.
Fonte: Reuters
