Jornalista americano foge de cativeiro taleban
Repórter do The New York Times era mantido refém havia sete meses no Paquistão
O repórter do jornal americano The New York Times David Rohde escapou na sexta-feira do cativeiro onde era mantido sequestrado havia sete meses pela milícia fundamentalista Taleban, numa região montanhosa do Paquistão conhecida como Waziristão do Norte.
Rohde havia sido capturado no dia 10 de novembro nos arredores da capital afegã, Cabul, quando fazia uma reportagem acompanhado do repórter local Tahir Ludin e do motorista Asadullah Mangal.
O jornalista relatou detalhes da fuga para a esposa, Kristen Mulvihill. Segundo ela, Ludin acompanhou Rohde na fuga, enquanto o motorista do grupo optou por ficar e fazer parte do Taleban. Os dois jornalistas escaparam do cativeiro pulando o muro da instalação onde eram mantidos cativos. Ludin teria machucado o pé na fuga.
Depois de deixar o local, os dois encontraram uma patrulha do Exército paquistanês que os levou até uma base militar próxima. No sábado, eles foram transportados até a base americana de Bagram, no Afeganistão.
Desde o início do sequestro, o jornal americano tem se esforçado para manter o assunto fora do noticiário. "A opinião da família, de especialistas em sequestros, autoridades de diversos governos e outras pessoas que consultamos era de que tornar isso público poderia aumentar o risco para ele e para os outros sequestrados", disse o editor executivo, Bill Keller.
Rohde, de 41 anos, fazia parte da equipe de repórteres ganhadora do Prêmio Pulitzer pela cobertura realizada no Afeganistão e no Paquistão no ano passado e já havia sido tomado como prisioneiro uma vez, na guerra dos Bálcãs, na Bósnia.
PREMIADO
O jornalista havia chegado ao Afeganistão em novembro para recolher material para um livro sobre a presença americana no país. Ele foi convidado para uma entrevista com líderes taleban na Província de Logar, nos arredores de Cabul, quando foi capturado.
Rohde esteve no Afeganistão pela primeira vez em 2001, apenas três meses depois do 11 de Setembro. Ludin, o repórter de 35 anos que o acompanhava, havia sido contratado como intérprete depois de ter trabalhado para várias publicações.
Fonte: Estadão
