Oposição mantém protesto em massa e líder convoca dia de luto no Irã
O candidato reformista derrotado e líder da oposição, Mir Hossein Mousavi, convocou o povo iraniano a um dia de luto para esta quinta-feira, com concentrações e passeatas, pelas sete vítimas dos quatro dias de manifestações em massa pela suposta fraude na eleição que reelegeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad.
Para esta quarta-feira, a oposição convocou mais um dia de protestos nas ruas da capital Teerã, manifestação que deve ser acompanhada em todo mundo através de relatos pela internet, já que o Irã censurou todos os outros veículos de comunicação e expulsou os jornalistas estrangeiros.
"Mousavi pede ao povo iraniano que se reúna nas mesquitas e realize marchas pacíficas para consolar as famílias dos mártires e feridos nos recentes acontecimentos", afirma uma nota publicada no site do reformista, que participará ainda de uma cerimônia.
Ao menos sete pessoas morreram e dezenas ficaram feridas na segunda-feira passada (15) em Teerã e em confrontos entre manifestantes e um grupo de milicianos islamitas ligados à Guarda Revolucionária. O islã xiita prevê que todo luto seja seguido por cerimônias no terceiro, sétimo e 40º dia após o falecimento.
O novo protesto deve manter a pressão no governo pela anulação da eleição presidencial de sexta-feira passada (12), que deu a reeleição a Ahmadinejad com cerca de 63% dos votos contra 34% de Mousavi, apesar das pesquisas de intenção de voto indicarem uma disputa acirrada.
O Conselho de Guardiães, órgão de 12 integrantes que é o pilar da teocracia iraniana, rejeitou nesta terça-feira anular o pleito e aceitou fazer uma recontagem parcial dos votos, válida somente para as urnas cuja integridade foi questionada. Mousavi rejeitou a proposta como insuficiente.
Internet
Com a forte censura e restrições do governo iraniano, os partidários de Mousavi apelam para a internet, mais especificamente para o Twiter, para noticiar o que acontece nas ruas da capital durante os protestos em massa.
Os oposicionistas usaram o popular serviço de microblogging para divulgar imagens de manifestantes mortos ou feridos que segundos depois podiam ser encontradas em portais como Flickr ou YouTube, apesar do bloqueio governamental imposto sobre muitas páginas da web.
O Twitter permite o envio de mensagens de até 140 caracteres via internet ou telefone celular. "Confirmado! O Exército entra em Teerã contra os manifestantes", escrevia um usuário chamado Benassk pouco depois das 16h20 no horário de Brasília.
O Twitter tinha previsto suspender seu serviço nesta quarta-feira durante 90 minutos para fazer manutenção, mas decidiu adiar a interrupção no final da noite desta terça-feira, em uma decisão que, segundo a imprensa americana, veio do próprio Departamento de Estado dos Estados Unidos.
O porta-voz do Departamento de Estado, Ian Kelly, reconheceu que o governo dos EUA acompanha a situação no Irã por diferentes meios, incluindo o Twitter e a rede social Facebook, mas evitou responder perguntas sobre uma eventual ordem oficial sobre o serviço de microblogging.
Ahmadinejad
O presidente Ahmadinejad afirmou nesta quarta-feira que sua reeleição é uma prova da confiança do povo iraniano em seu governo.
"O resultado da eleição confirma o trabalho do nono governo, um trabalho baseado na honestidade e no serviço ao povo", declarou o presidente ultraconservador à agência ISNA, em uma referência a seu primeiro mandato (2005-2009).
"Vinte e cinco milhões de pessoas confirmaram esta forma de administrar o país, que está agora gravada na revolução", completou, em referência ao número recorde de pessoas que foram às urnas no país.
Prisão
Um professor universitário e um analista político, dois reformistas ligados ao candidato Mousavi, foram detidos nesta quarta-feira, informaram familiares e amigos.
Hamid Reza Jalaipur, professor de Sociologia da Universidade de Teerã e membro da campanha do conservador moderado Mousavi, foi preso em sua residência. Said Laylaz, um economista e analista político, também foi detido em casa, segundo a família.
Um número importante de autoridades e jornalistas reformistas foram presos, alguns deles já liberados, desde o anúncio da reeleição de Ahmadinejad.
Nesta terça-feira, o ministro da Informação, Gholam Hossein Mohseni Ejeie, anunciou que 26 organizadores dos distúrbios foram detidos.
Fonte: Folha OnLine
