Arquipélago de Palau receberá 17 chineses de Guantánamo
País, situado ao norte da Austrália, abrigará detentos a pedido dos EUA após fechamento da prisão
Uma das ilhas de Palau, para onde os prisioneiros serão realocados (AP)
O governo das Ilhas Palau, um arquipélago siatuao ao norte da Austrália, na Oceania, concordou nesta quarta-feira, 10, em aceitar 17 muçulmanos chineses que estão em um limbo legal na prisão de Guantánamo. Após a decisão do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de fechar a prisão mantida na base militar em território cubano, o destino dos presos tornou-se um problema à espera de solução. Segundo a decisão do presidente americano, a prisão deverá ser fechada até janeiro de 2010.
O anúncio de que o arquipélago do Pacífico receberá os uigures é um grande passo para o objetivo dos EUA de encontrar novos lares para os detentos que sejam declarados livres de qualquer acusação. O problema é que parte desses presos não poderiam voltar a seus países de origem por temor de perseguições.
Os EUA temem que os uigures, uma minoria na China, possam ser torturados, caso voltem ao território chinês. Ao mesmo tempo, a administração Obama sofre pressão para não permitir que os ex-detentos permaneçam em território norte-americano. Os homens foram capturados no Paquistão e no Afeganistão, em 2001, porém o Pentágono concluiu que eles não são "inimigos combatentes".
O presidente de Palau, Johnson Toribiong, disse que a decisão era "um gesto humanitário". Palau não reconhece a China e mantém relações diplomáticas com Taiwan. O arquipélago possui 20 mil habitantes e aceitará os 17 detentos, que passarão por revisões periódicas de seu status, disse o presidente em comunicado.
A China, que exigia a extradição do grupo para seu país de origem, ainda não comentou o caso. Dois funcionários norte-americanos, falando sob condição de anonimato, disseram que os EUA estavam prontos a doar US$ 200 milhões em auxílio ao desenvolvimento e outros tipos de assistência.
Palau era um território dos EUA no Pacífico, e mantém relação próxima com o país desde sua independência, em 1994. O arquipélago depende dos norte-americanos para obter auxílio e também para sua defesa. Palau é um local turístico, com paisagens para mergulhos, 800 quilômetros a leste das Filipinas.
Os uigures são de Xinjiang, uma região isolada que faz fronteira com Afeganistão, Paquistão e seis países da Ásia Central. Eles se dizem reprimidos pelo governo chinês. Já Pequim afirma que insurgentes lideram um movimento separatista islâmico em Xinjiang. Em 2006, a Albânia aceitou seis uigures de Guantánamo, mas desde então resiste a acolher outros, também por temer a repercussão na diplomacia com a China.
O detento Ahmed Ghailani, apontado como membro da rede terrorista Al-Qaeda, foi enviado na segunda-feira a Nova York, onde será julgado. Trata-se do primeiro preso de Guantánamo a seguir para território norte-americano para julgamento. Os EUA o acusam de envolvimento em atentados contra embaixadas norte-americanas na Tanzânia e no Quênia, que resultaram em 224 mortes, em 1998. Ghailani afirma ser inocente.
Fonte: Estadão
