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Primeiro detento de Guantánamo chega aos EUA

Governo diz que suspeito da Al-Qaeda já está em NY; tanzaniano será o 1º a ser processado em corte civil

O primeiro detento da prisão na base naval de Guantánamo a ser transferido para território americano desembarcou em Nova York nesta terça-feira, 9, segundo afirmou o Departamento de Justiça dos EUA em comunicado. Ahmed Ghailani será o primeiro preso a ser julgado em uma corte civil americana.

Ghailani chegou nas primeiras horas do dia e permanecerá sob custódia das agências de segurança da cidade até o seu julgamento, que acontecerá em uma corte federal de Manhattan ainda nesta terça. O julgamento será um teste importante para o governo do presidente Barack Obama e seu plano de fechar o centro de detenção de Guantánamo, que prevê a transferência de alguns dos presos para cortes dos EUA.

Ghailani, um tanzaniano detido em 2004 no Paquistão, foi um dos 14 "detentos de alto valor" transferidos de prisões secretas da CIA para Guantánamo em setembro de 2006. Ele foi indiciado pela primeira vez em Nova York em 1998 por acusação de conspirar com o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, e com outros militantes para matar norte-americanos no exterior e por envolvimento nos atentados contra as embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia, onde morreram mais de 224 pessoas, incluindo 12 americanos.

"Com sua aparição de hoje diante da corte federal, Ahmed Ghailani é considerado responsável por sua suposta participação nos atentados com bombas contra as embaixadas americanas na Tanzânia e no Quênia e pelos assassinatos de 224 pessoas", afirmou o secretário Eric Holder na nota. "O Departamento de Justiça tem uma longa história de detenções seguras e processos com sucesso contra suspeitos de terrorismo através do sistema de justiça criminal e usaremos esta experiência na busca pela justiça neste caso".

A prisão de Guantánamo foi criada depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA, para manter suspeitos de terrorismo capturados principalmente no Afeganistão. Suspeitas de maus tratos a presos no local contribuíram para prejudicar a imagem dos EUA no exterior, e Obama determinou nos primeiros dias de seu mandato, em janeiro, que a prisão fosse desativada. Mas vários parlamentares se opõem à transferência dos presos para os EUA, alegando que isso ameaçaria a segurança nacional, mesmo que eles estejam detidos.

As autoridades asseguram que Ghailani começou sua carreira como terrorista quando transportava partes de bombas em bicicletas e logo subiu na escada hierárquica da Al-Qaeda até se tornar guarda-costas de Bin Laden. Quando tinha 20 anos, ajudou outros terroristas a construir uma das bombas que destruiu as embaixadas americanas no leste da África em 1998, afirmam os promotores. Ghailani teria deixado o continente após os ataques, trabalhando como falsificador de documentos, treinador num campo terrorista e guarda-costas do líder da Al-Qaeda. Desde sua captura, em 2004, ele negou ter conhecimento sobre o explosivo TNT ou taques de oxigênio usados para fazer uma bomba. Ghailani negou ainda ter comprado o veículo usado num dos ataques, alegando que não sabe dirigir.

Fonte: Reuters