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Obama dá recado a Ahmadinejad em visita a campo de concentração

Passagem por Buchenwald seria sinal de apoio a Israel, que ficou fora do tour do presidente pelo Oriente Médio

Após conhecer os fornos crematórios do campo de concentração de Buchenwald, próximo de Weimar, o presidente dos EUA, Barack Obama, declarou que líderes mundiais têm a obrigação moral de combater a "disseminação do mal". O presidente ainda convidou seu colega iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que nega a existência do Holocausto, a visitar os restos do campo, qualificados por Obama de "prova suprema" contra os negacionistas.

"Não tenho paciência com quem nega a história", disse Obama, em uma clara referência a Ahmadinejad. "A comunidade internacional tem a obrigação, mesmo que isso seja inconveniente, de agir quando um genocídio está ocorrendo", completou.

Estima-se que 56 mil pessoas, na sua maioria judeus, tenham sido assassinadas em Buchenwald (mais informações nesta página). Além da chanceler alemã, Angela Merkel, dois sobreviventes judeus de Buchenwald acompanharam Obama na visita: o Prêmio Nobel da paz de 1986, Elie Wiesel - cujo pai morreu no campo -, e Bertrand Herz, presidente da organização responsável pela preservação da história do complexo nazista vizinho de Weimar. Os três depositaram rosas sobre uma lápide com as nacionalidades das vítimas.

Diante do relógio do campo de concentração, que ficou parado na hora em que tropas nazistas abandonaram suas instalações, às 15h15 do dia 11 de abril de 1945, Obama reafirmou seu compromisso com a memória do Holocausto. "Esses lugares não perderam o horror com a passagem do tempo. Passados mais de 50 anos, nosso luto e nossa revolta diante do que ocorreu aqui não diminuíram", discursou o presidente.

O tour no campo de concentração foi interpretado por muitos como uma forma de compensar o fato de o presidente dos EUA não ter incluído Israel em seu roteiro no Oriente Médio. Obama esteve na Arábia Saudita e no Egito e, depois da Alemanha, seguirá para a França. A visita a Buchenwald seria um sinal de que, apesar da mudança de tom com israelenses, o Estado judeu continua entre as prioridades de Washington.

Obama também conheceu a parte de Buchenwald conhecida como "o pequeno campo" ou "o campo judeu", onde as condições de vida eram extremamente difíceis e quase todos os prisioneiros eram de judeus. Wiesel, que acompanhou Obama, ficou preso ali por meses.

Ligando sua visita ao campo ao tema dominante de sua viagem, a paz no Oriente Médio, o presidente dos EUA disse que via, no reflexo da tragédia nazista, a capacidade de Israel de se solidarizar com o sofrimento dos outros. Esse atributo, afirmou Obama, reforça a esperança de que israelenses e palestinos se entendam e acabem de vez com a violência.

Depois, Obama visitou o hospital militar dos EUA de Landstuhl, onde soldados feridos no Iraque e Afeganistão são atualmente tratados. O presidente passou cerca de duas horas com as tropas.

ITINERÁRIO

Antes de visitar Buchenwald, Obama passou a noite em Dresden, no leste da Alemanha. A escolha da cidade causou polêmica entre europeus e americanos, pois Dresden ficou conhecida como o alvo de um aterrorizador bombardeio dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha no fim da 2ª Guerra. Estima-se que, em 63 minutos de ataque aliado, entre 18 mil e 25 mil pessoas, em sua maioria civis alemães, tenham morrido.

Na Alemanha, especulou-se que a escolha de Dresden em detrimento da capital, Berlim, seria uma forma de favorecer a candidatura de Merkel, que busca um novo mandato nas eleições de setembro. Obama negou os boatos em uma coletiva.

Segundo o presidente, a cidade teria sido escolhida com base em sua agenda na Alemanha e não por critérios políticos. "As especulações sobre meu itinerário simplesmente não levam em conta a logística de minha viagem", afirmou. Depois, reclamou em tom de brincadeira com os jornalistas: "Já temos problemas demais, não precisamos criar novos."

Sobre seu apoio a Merkel, Obama evitou comentar as eleições na Alemanha e disse apenas que a chanceler era "sua amiga".

Ontem à noite, o presidente americano foi para Paris e hoje vai à região da Normandia, onde participará das comemorações do 65º aniversário do Dia-D. A mulher de Obama, Michelle, e suas duas filhas, Sasha e Malia, continuarão na capital francesa.

Fonte: Reuters