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Discurso de Obama é um `bom começo`, diz porta-voz palestino

O discurso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao mundo muçulmano nesta quinta-feira, 4, foi um "bom começo" para uma nova política norte-americana no Oriente Médio, disse um porta-voz do presidente da Palestina, Mahmoud Abbas. O Hamas, grupo que controla a Faixa de Gaza e não reconhece Israel, avaliou o discurso como mostra de uma "mudança palpável" na política externa norte-americana, porém também notou contradições.

"Seu pedido para interromper a colonização e para a fundação do Estado Palestino e referência ao sofrimento dos palestinos... é uma clara mensagem a Israel de que uma paz justa está na base do Estado Palestino com Jerusalém como sua capital", disse o porta-voz da ANP Nabil Abu Rdainah. "Damos as boas-vindas ao discurso e a seu apoio aos palestinos. Achamos que o discurso de Obama, seriamente, tentou definir as relações entre o Ocidente e o mundo árabe", disse o assessor presidencial e chefe de negociação da ANP, Saeb Erekat.

Erekat lembrou, no entanto, que, "discursos à parte, o povo quer ver resultados no terreno", e perguntou: "o que acontecerá na próxima semana ou no próximo mês, quando Israel não parar de construir nos assentamentos judaicos?".

Para o Hamas, a fala de Obama "é um discurso que se apoia nos sentimentos e está cheio de cortesias que nos faz pensar que se tratava de melhorar a imagem dos EUA no mundo", afirmou o porta-voz do grupo Fawzi Barchum à AFP. "Contém muitas contradições, ainda que reflita uma mudança palpável".

Obama reiterou, em seu discurso na capital egípcia, que Israel deve parar a ampliação dos assentamentos judaicos e facilitar o comércio e a vida cotidiana dos palestinos nos territórios ocupados, como passo prévio para a solução de dois Estados, que considerou a única possível para o conflito da região. "Buscarei pessoalmente este resultado com toda a paciência que esta tarefa requer", prometeu Obama em seu discurso, que foi dirigida, principalmente, ao mundo muçulmano e na qual pediu que todas as partes envolvidas cumpram suas responsabilidades.

Fonte: Estadão