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China acirra censura nos 20 anos do massacre da praça da Paz Celestial

O massacre realizado pelo Exército chinês na praça da Paz Celestial, em Pequim, completa 20 anos nesta quinta-feira. Por ocasião da data, a praça amanheceu sob forte vigilância das forças de segurança. Centenas de policiais a paisana patrulham o local com o objetivo evitar qualquer ato em recordação ao massacre de 1989 e o trabalho da imprensa.

Dissidentes do governo chinês que estão exilados tinham pedido que a população fizesse um protesto usando branco --a cor do luto na China--, nesta quinta-feira. Poucos o fizeram.

Em 4 de junho de 1989, o Exército chinês enfrentou, na praça da Paz Celestial, em Pequim, estudantes e trabalhadores que protestavam pela democracia no país havia várias semanas. Centenas --ou possivelmente milhares-- de pessoas morreram na repressão aos protestos, e as discussões sobre o evento continuam sendo um tabu na China.

O governo da China classifica os protestos por democracia de "rebelião contrarrevolucionária" e o massacre de "incidente político". Qin Gang, porta-voz da chancelaria chinesa, afirmou que o governo já "apresentou suas conclusões" sobre o caso. Nunca houve uma contagem oficial de mortos, feridos e presos no massacre, e, 20 anos mais tarde, diversas pessoas continuam presas por envolvimento nos protestos.

Nesta quarta-feira (3), havia mais policiais que turistas na praça da Paz Celestial, onde há, normalmente, espera para visitar o mausoléu do ditador Mao Tse-tung e a antiga cidadela imperial, a Cidade Proibida.

Também nesta quarta-feira, repórteres de quatro TVs estrangeiras foram proibidos de entrar com equipamentos na praça. Uma equipe chegou a ser cercada e empurrada por 30 homens à paisana. Durante todo o dia, a tela da TV escurecia, sempre que CNN ou BBC apresentavam reportagens sobre o massacre.

Nesta quinta-feira, um repórter da TV da France Presse foi obrigado a apagar as imagens que havia feito, e um fotógrafo da agência foi retirado da praça.

O Clube de Correspondentes Estrangeiros de Pequim divulgou nota dizendo que as agressões e a censura são "inadmissíveis". A imprensa local é proibida de tocar no assunto.

Sites como Twitter, Youtube, Hotmail, Flickr, Blogspot e Blogger continuam bloqueados. "Use branco em 4 de junho em homenagem aos mortos da praça da Paz Celestial. O governo não pode proibir cor." Essa era uma das mensagens mais populares entre usuários chineses do Twitter até terça-feira (2), quando começou o bloqueio.

Pesquisas sobre o assunto, ausentes de livros escolares, são bloqueadas no Google.

O grupo "Mães da Tiananmen" (nome da praça em chinês) está sob vigilância 24 horas por policiais. Algumas mães de estudantes mortos em 1989 foram impedidas de conversar com jornalistas estrangeiros.

Fonte: Folha OnLine