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OEA ainda busca último acordo sobre Cuba, diz Garcia

Assessor especial de Lula afirma que acordo entre o regime cubano e os EUA deve ser discutido posteriormente

O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse que apesar dos primeiros sinais de frustração na reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Honduras, para a reintegração de Cuba ao bloco, "ainda se está em busca de um último acordo" para tentar retirar da resolução o artigo que veda a participação de Cuba no conselho.

"Nossa proposta é minimalista. Sugerimos que se anule a decisão de 1962 - que excluiu Cuba do bloco - e se deixe para depois um acordo entre Cuba e os Estados Unidos a ser discutido entre os dois países", afirmou Garcia, que acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na viagem a Costa Rica. Segundo ele, os Estados Unidos queriam colocar uma cláusula de compromisso com a democracia, "mas não houve acordo".

"Queremos uma solução em que nenhum dos dois países saiam como derrotados, mas não foi possível",lamentou. Segundo ele, o governo brasileiro teme que a demora do governo norte-americano em avançar nas negociações pode criar o clima de que os Estados Unidos não querem um acordo com Cuba.

A intolerância de alguns países com palavras como "democracia" e "autodeterminação" na resolução para permitir o retorno de Cuba à Organização dos Estados americanos (OEA) frustrou horas de trabalho e impediu o consenso no primeiro dia de sua 24ª Assembleia Geral. O chanceler brasileiro, Celso Amorim, reconheceu que um acordo entre os países neste momento seria "um milagre", mas ressaltou que os participantes da reunião devem continuar buscando soluções.

Os ministros se retiraram por volta das 23h locais (2h de quarta-feira em Brasília), após uma intensa jornada de negociações infrutíferas. O objetivo era conseguir um texto de consenso que permita derrogar a resolução que em 1962 suspendeu a Cuba do Sistema Interamericano por seus vínculos com o bloco chinês-soviético. Apesar disso, as delegações continuarão negociando, mas não em nível diplomático através dos chanceleres.

O Brasil considera que se deve revogar a resolução aprovada em 1962 em Punta del Este (Uruguai) por consenso. Apesar das divergências políticas sobre como acabar com a suspensão, os chanceleres consideram que avançaram pelo menos no aspecto de que é necessário derrogar a resolução. "Acho que houve um avanço, porque pelo menos agora existe uma consciência de que a resolução de 62 é um cadáver insepulto que tem de ser enterrado. Eu gostaria fazer um enterro democrático sem grandes pompas. Mas não foi possível", assinalou Amorim.

O secretário de Estado adjunto americano para a América Latina, Thomas Shannon, assinalou havia "conseguido muito" nas negociações, e que os países estavam a ponto de alcançar um acordo. "Infelizmente alguns dos países simplesmente não queriam aceitar alguns aspectos da resolução estipulada pela grande maioria" dos Estados-membros da OEA, acrescentou.

O funcionário americano disse que os "Estados Unidos e muitos outros países mostraram muita boa vontade de seguir em frente com o fim da suspensão", e rejeitou que Washington queira impor condições a Cuba. "Não houve imposição da nossa parte, pelo contrário, trabalhamos com textos apresentados pela Associação Latino-Americana de Integração (Aladi). Tínhamos formado um grupo de países que realmente tinha a intenção de avançar, de acabar com a suspensão e estabelecer um caminho para um futuro no qual a OEA pudesse reincorporar Cuba com base em seus princípios", explicou.

O pessimismo dos chanceleres após deixarem a reunião ficou evidente nas palavras do ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, que assinalou que "é necessário derrogar a resolução, mas não houve acordo sobre como fazer isso ou os termos que devem ser utilizados".

Fonte: Estadão