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China liberta estudante preso por protesto da Praça da Paz em 1989

O estudante Liu Zhihua, preso por participar em 1989 das greves de apoio aos estudantes da Praça da Paz Celestial, foi libertado após quase 20 anos na prisão, informou nesta terça-feira um comunicado da Fundação Dui Hua.

Liu foi libertado da prisão de Loudi (Província de Hunan) em janeiro, mas sua libertação só foi notificada ao grupo recentemente.

Liu, que tinha 24 anos em 1989, organizou junto a outros companheiros uma greve em uma fábrica estatal de maquinaria elétrica em Xiangtan, na mesma Província, como protesto contra a repressão violenta dos protestos em Pequim, em 4 de junho daquele ano.

A greve, com a participação de cerca de 10 mil trabalhadores, foi uma das maiores daquele ano, além de uma das mais "sensíveis" politicamente para Pequim, já que Xiangtan é o distrito onde nasceu o líder comunista Mao Tsé-tung.

Três dos líderes grevistas, entre eles Liu, foram condenados à prisão perpétua e outro foi condenado à morte, por vandalismo, crime que foi retirado do código penal chinês há mais de uma década.

As penas de todos eles foram reduzidas com o passar dos anos, de acordo com as informações da Dui Hua, organização que investiga o paradeiro e situação de presos políticos na China. Assim, Liu teve a pena de prisão perpétua reduzida em 1993, segundo a organização.

Apesar da libertação, Liu continua privado pela lei chinesa de seus direitos políticos, o que implica, por exemplo, que não pode sair da cidade de Xiangtan nem conceder entrevistas.

A organização estima que pelo menos outras 30 pessoas permanecem presas em Pequim e em outras cidades chinesas pela participação nos protestos da Praça da Paz Celestial --que este ano completam 20 anos-- e outras manifestações e greves de 1989 em apoio aos estudantes.

"A sentença nos aproxima do dia em que ninguém na China esteja cumprindo pena por ofensas cometidas em 4 de junho de 1989 ou nos dias anteriores e posteriores", destacou, no comunicado o diretor-executivo da Dui Hua, John Kamm.

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês Ma Zhaoxu se recusou nesta terça-feira, em entrevista coletiva, fazer comentários sobre a libertação de Liu.

Fonte: Efe