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Chávez ameaça a canal privado de TV por "terrorismo diário"

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, voltou a ameaçar nesta quinta-feira os meios de comunicação privados, mais especificamente o canal de televisão Globovisión, e prometeu que "não permitirá" que continue fazendo "terrorismo diário" e acreditando que está "acima da lei".

"Tomara que retifique, mas não tenho esperança. Tudo bem, sigam em frente, nós sabemos o que temos que fazer", disse o presidente, em intervenção pública retransmitida por todos os canais de rádio e televisão da noite desta quinta-feira.

Sem dizer em momento algum referir-se diretamente à Globovisión, o presidente afirmou: "Todos sabemos de quem estou falando. Estamos na presença de uma agressão terrorista contra a Venezuela aqui dentro e temos de destacar com nome e sobrenome os terroristas de colarinho branco, de gravata, que têm canais de televisão, jornalistas e estações de rádio", acrescentou.

Segundo Chávez, se houvesse uma ditadura na Venezuela, como diz a crítica na imprensa, "há muito tempo não haveria rastro destes quatro burgueses enlouquecidos que fazem terrorismo diário, violando a Constituição e agredindo o coletivo nacional".

"Pela dignidade de todos nós não podemos continuar tolerando e não vamos continuar tolerando, mas tudo tem seu tempo", disse.

No domingo passado (10), Chávez denunciou o jornalismo realizado pela Globovisión, uma imprensa que, segundo ele, incita o ódio e manipula os cidadãos. O presidente afirmou ainda que é o Estado que tem autoridade para ampliar ou não seu direito de transmissão.

Em entrevista posterior á ASFP, o diretor desse canal, Alberto Federico Ravell, disse que "estas ameaças precisam ser levadas a sério e que existe um risco de fechamento do canal".

Há dois anos, Chávez não renovou a concessão da televisão RCTV, muito crítica ao governo.

Folha

Até mesmo a Folha de S. Paulo já foi alvo de críticas do venezuelano. na quarta-feira passada (13), Chávez criticou reportagem publicada na terça-feira (12) sobre o lançamento de um aparelho de celular estatal que provocou filas e listas de espera no país.

Em cadeia nacional de rádio e TV, Chávez leu e criticou o seguinte trecho: "Defensor do socialismo do século 21, o presidente Hugo Chávez provocou uma febre de consumo digna do capitalismo mais selvagem ao se transformar em garoto-propaganda do primeiro celular fabricado na Venezuela".

"Claro, eles estão preocupados que a Venezuela comece a produzir. Isso é o que está por trás", disse. "Uma coisa é o voraz e selvagem consumismo do capitalismo e outra coisa muito diferente é o "vergatário" [apelido do celular] para o uso do nosso povo."

Fonte: Folha OnLine