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Sri Lanka rejeita cessar-fogo; total de mortos ultrapassa 6.000

Arte Folha de S.Paulo (Folha Online)

O governo do Sri Lanka rejeitou nesta quinta-feira o pedido internacional por um cessar-fogo no conflito contra os rebeldes tâmeis, horas depois do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) ter defendido a proteção das vidas dos civis.

Segundo estimativas da ONU, 6.500 civis morreram e 14.000 foram feridos entre o fim de janeiro e meados de abril, durante a ofensiva final do Exército contra o movimento separatista dos Tigres Tâmeis.

"Não vamos nos submeter à pressão internacional para deter a ofensiva", afirmou o ministro da Comunicação, Lakshman Yapa Abeywardena.

Nesta noite de quarta-feira, os 15 membros do Conselho de Segurança da ONU pediram ao governo do Sri Lanka e aos Tigres Tâmeis que garantam a segurança dos civis e respeitem as obrigações de acordo com a lei humanitária internacional. Em contrapartida, Yapa afirmou que o governo "não tem problema com isso".

Essa foi a primeira vez que o Conselho de Segurança adotou uma posição formal sobre o conflito desde o agravamento da crise na região nordeste do Sri Lanka em abril.

Nos últimos dias, vários confrontos entre rebeldes e o Exército tem sido registrados em várias localidades da ilha, entre as quais, três bombardeios em 11 dias ao único hospital ao norte. Somente no último fim de semana, mais de 400 civis morreram e mais de mil foram feridos.

Os rebeldes estão, há alguns meses, encurralados em uma região do noroeste do país, com mais cerca de 50 mil civis, segundo estimativas da ONU. O governo cingalês rejeita qualquer trégua ou cessar-fogo, por considerar estar próximo da vitória. O comando dos Tigres Tâmeis rejeita a rendição e exige que todos os rebeldes carreguem uma cápsula de cianeto e a engulam, em caso de captura.

Os rebeldes lutam, desde 1983, para criar um território independente para a minoria étnica tâmil, que sofreu discriminação com os sucessivos governos da maioria cingalesa. Tanto os Estados Unidos quanto a Europa consideram o grupo terrorista.

Hospital

Segundo os Tigres Tâmeis, mais de cem civis morreram no segundo ataque consecutivo ao único hospital da zona norte do Sri Lanka, no último reduto sob controle rebelde na ilha. Um médico citado pelo portal Tamilnet, aliado da guerrilha, afirmou que aproximadamente 40 crianças ficaram gravemente feridas e que muitas outras morreram no ataque, ocorrido nesta quarta-feira.

De acordo com informações divulgadas nesta quarta-feira por autoridades médicas locais, 50 pessoas morreram e outras 60 ficaram feridas. A maioria das vítimas são pacientes e civis que recebiam atendimento emergencial. Esse foi o terceiro atentado ao hospital em 11 dias. Ao todo, 164 pessoas já morreram somente nos ataques, segundo estimativas oficiais.

O centro médico, improvisado em uma escola do povoado de Mullaivaikkal, sofre com a escassez de pessoal no hospital para tratar o grande número de feridos. O Tamilnet citou estimativas dos rebeldes que demonstram que os mortos estão entre 200 e 500 e mais de 2.000 feridos por ataques do Exército nas últimas 24 horas na zona de segurança, demarcadas pelo governo para que os civis se refugiem.

Segundo a guerrilha, muitos dos feridos morrerão antes de poder ser atendidos, devido a falta de médicos e remédios e o bloqueio da entrada de ajuda humanitária de organizações internacionais, como a Cruz Vermelha (única autorizada a entrar na região).

O Exército cingalês mantém uma constante ofensiva contra os Tigres Tâmeis, que resistem junto a 50 mil civis isolados pelos combates em uma faixa litorânea de quatro quilômetros quadrados no distrito nordeste de Mullaitivu.

Fonte: Efe