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Plano de paz promove racha entre ministros israelenses

A proposta de paz com os árabes no Oriente Médio, baseada na construção dos dois Estados, tem promovido uma divisão entre os membros do novo governo israelense, segundo reportagem do jornal israelense "Haaretz".

Nesta quarta-feira, o ministro da Defesa, Ehud Barak, reiterou a importância de um acordo na região, depois das declarações polêmicas do ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, que disse que qualquer tentativa de acordo resultaria em "uma receita para destruir Israel".

"Um programa israelense para promover um acordo regional é a linha da política que será adotada nos próximos anos para a segurança de Israel na região", afirmou Barak, segundo o jornal israelense "Haaretz".

Segundo o jornal, o ministro apoia ainda a participação dos Estados Unidos nas negociações. "Israel precisa formular junto com os EUA os detalhes da sua iniciativa, que também deverá garantir os interesses israelenses na segurança, sem direito de regresso", afirmou.

Mais de 70% dos israelenses e dos palestinos apoiam uma solução de dois Estados nas negociações de paz. A aprovação do Estado palestino foi divulgado nesta quarta-feira em pesquisa realizada a pedido do movimento pacifista One Voice.

Lieberman, que rejeita a iniciativa de paz árabe, afirmou que o plano que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pretende resgatar, é "uma receita para a destruição de Israel".

A iniciativa, aprovada pela primeira vez pela Liga Árabe na cúpula de Beirute em 2002 e referendada posteriormente, inclui o reconhecimento dos países árabes ao Estado de Israel em troca da retirada dos territórios ocupados em 1967.

O ministro israelense enfatizou que o capítulo mais problemático desse plano é o que menciona o direito do retorno dos descendentes dos refugiados palestinos, disse a rádio do Exército israelense.

Obama qualificou a iniciativa como "um começo muito construtivo", após um encontro com o monarca jordaniano Abdullah 2º em Washington. O presidente americano pediu que israelenses e palestinos adotem medidas concretas na direção da paz, e disse que espera ver progressos no terreno nesse sentido nos próximos meses.

Polêmica

Pouco depois de assumir o cargo no começo desse mês, Lieberman disse não se sentir vinculado ao processo iniciado em Annapolis em novembro de 2007, onde o anterior Executivo israelense e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, se comprometeram a fazer o possível para materializar a visão de dois Estados como solução ao conflito palestino-israelense.

Em resposta às declarações de Lieberman, o deputado trabalhista Ophir Pines-Paz manifestou que o ministro prejudica os interesses de Israel. "Lieberman se movimenta como um elefante em uma loja de porcelanas chinesas. Está causando um dano estratégico aos interesses de Israel", disse Pines em comunicado.

Fonte: Efe