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Berlusconi inaugura escola em tenda de acampamento

Premiê espera fim das barracas antes de outubro; país cria força para evitar que máfia se aproveite do desastre

Berlusconi inaugura escola em tenda de acampamento (AP)

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, afirmou nesta quinta-feira, 16, esperar que todos os acampamentos em que estão os desabrigados pelo terremoto na região de Abruzzo sejam fechados antes que chegue o frio do outono (outubro no hemisfério norte. O premiê participou da inauguração da primeira escola aberta após o tremor na cidade de Poggio Picenze, na região de Abruzzo, devastada na semana passada por um terremoto.
Berlusconi foi a Abruzzo junto com a ministra da Educação italiana, Mariastella Gelmini, para inaugurar oficialmente a escola, instalada em três tendas de campanha azuis com alguns vasos de flores, que abriga duas salas elementares mistas e uma de maternal. "A vontade do Executivo é que as primeiras famílias de desabrigados possam ter uma casa antes do verão (fim do ano)". "O governo não fará `barracopólis` (cidades de barracões) nem `tendópolis` (acampamentos de tendas de campanha) de longa duração", disse, acrescentando que, enquanto isso, o Executivo espera "encontrar alojamento em hotéis e nas casas oferecidas pelos italianos para todos os desabrigados".
O presidente italiano fez um balanço da catástrofe e disse que, dada a intensidade do terremoto, o número de vítimas fatais foi baixo. Além disso, avaliou em 50% os edifícios que terão que ser reconstruídos. O primeiro-ministro disse que "as necessidades dos moradores de Abruzzo, junto com a crise econômica mundial, são as principais preocupações do governo" neste momento.
Como exemplo deste compromisso, Berlusconi disse que o Executivo adiou algumas ações políticas que seriam muito favoráveis, como a de realizar o plebiscito sobre o sistema eleitoral, que seria um primeiro passo no caminho ao bipartidarismo na Itália. Para a reconstrução da região de Abruzzo, Berlusconi reiterou a possibilidade de que as empresas de construção de cada uma das províncias se encarreguem de uma obra concreta e, assim, se consiga "diminuir o tempo". Ele também garantiu o apoio do Estado aos que decidirem reconstruir ou reestruturar sua própria casa.
Máfia italiana
O procurador-geral antimáfia da Itália, Piero Grasso, anunciou a criação de uma "força especial" para evitar que os clãs mafiosos se infiltrem na reconstrução da região de Abruzzo, danificada pelo terremoto. O grupo será composto por magistrados e especialistas em crime organizado, que auxiliarão a Procuradoria de Áquila, capital de Abruzzo e cidade mais afetada pelo tremor.
Grasso disse que "o melhor" será envolver os habitantes das cidades atingidas na reconstrução, "já que os técnicos e os profissionais locais sentem a terra como própria e tendem a reconstruí-la da melhor maneira, a fim de evitar riscos futuros". Ele se declarou a favor de criar uma "lista" de empresas limpas para que participem da reconstrução. A legislação italiana já permite que se exija das empresas construtoras uma certidão "antimáfia".
O Presidente da comissão parlamentar antimáfia e ex-ministro do Interior, Giuseppe Pisanu, denunciou que o crime organizado "já se infiltrou" em Abruzzo para participar da reconstrução e "por isso é preciso proteger os investimentos públicos com uma ferrenha força especial". "A Cosa Nostra (máfia siciliana), a Ndrangheta (da Calábria) e a Camorra (napolitana) já chegaram a Abruzzo e certamente aspiram à reconstrução. É necessário proteger os investimentos públicos", afirmou.

Fonte: Efe