Após violentos protestos, oposição encerra manifestação em Bancoc
Manifestantes antigoverno fazem gestos diante de linha de soldados em protestos pela renúncia do premiê (AP)
O fim dos protestos, que buscavam a renúncia do premiê Abhisit Vejjajiva, foi anunciado por seus líderes depois que as tropas do Exército tailandês cercaram os cerca de 5.00 manifestantes que permaneciam no acampamento, situado nos limites da sede governamental.
"Nós decidimos cancelar o protesto de hoje porque muitos irmãos e irmãs foram feridos e mortos", disse um dos líderes dos manifestantes Suporn Attawong. "E não permitiremos mais mortes."
Jakrapob Penkair, outro líder dos oposicionistas, ressaltou que "a luta continuará". Conhecidos como camisas vermelhas, os manifestantes querem derrubar o governo de Abhisit e abrir caminho para o retorno ao país do ex-premiê Thaksin, deposto em um golpe de Estado em 2006 sob acusações de corrupção e abuso de poder e que está no exílio.
Eles acusam Abhisit, eleito há quatro meses --após a queda do seu antecessor, Somchai Wongsawat, aliado de Thaksin-- de ter chegado ao poder ilegalmente e de ser um fantoche nas mãos do Exército e de alguns conselheiros do rei Bhumibol Adulayadej.
"Nós não alcançamos nosso objetivo de acabar com o status quo e devolver o poder à maioria das pessoas. Até que isso aconteça, não desistiremos", disse.
Ao deixar o cerco, os manifestantes mostravam sinais de vitória. Eles embarcaram em ônibus providenciados pelos militares.
Julgamento
Mais cedo, os principais dirigentes se reuniram perto da sede do governo com o diretor-geral da polícia, Phatcharawat Wongsuwan, para traçar o plano de retirada.
Após a reunião, o chefe da polícia disse à imprensa que os líderes dos protestos serão acusados formalmente de descumprimento das restrições impostas pelo estado de exceção, declarado em Bancoc e em outras cinco Províncias vizinhas à capital no domingo passado (12) --que proíbe reunião de mais de cinco pessoas nas ruas da cidade.
"Todos os líderes do protesto vão ser acusados, as ordens de captura serão emitidas dentro de algumas horas por uma assembleia ilegal, proibida pelo estado de exceção", disse o general Wongsuwan.
Confrontos
No início da manhã desta terça-feira, tropas tailandesas avançaram em direção aos milhares de manifestantes que estavam acampados diante da sede do governo. Exército e Polícia romperam o perímetro de segurança fixado ao redor dos ativistas, que se preparavam para uma batalha com as tropas.
Os soldados, com escudos e cassetetes, pediram aos moradores que não saíssem de casa antes que começasse a operação para dissolver o protesto, enquanto caminhões blindados carregados de tropas foram para o local. Para enfrentar os veículos Humvee e caminhões blindados dos militares, os ativistas ergueram barricadas com árvores arrancadas, incendiaram ônibus e pneus, e guardaram pedras e tijolos.
Na noite desta segunda-feira (13), dois civis morreram após serem baleados pelos manifestantes em uma área próxima ao palácio governamental. Outras nove pessoas ficaram feridas pelos disparos. Durante o dia, as tropas atiraram em várias ocasiões para dispersar os manifestantes espalhados pela parte antiga de Bancoc, em cumprimento ao estado de exceção.
As autoridades reforçaram o controle de estradas, portos e aeroportos para evitar que sejam ocupados pelos opositores, como aconteceu em dezembro com os detratores de Shinawatra, que ocuparam a sede do governo e os dois aeroportos da capital.
Fonte: Folha OnLine
