China defende lançamento de foguete norte-coreano
Coreia do Norte faz passeata pró-lançamento de satélite (AP)
A manifestação ocorreu um dia antes de que o Legislativo confirme a esperada eleição de Kim Jong-il para um terceiro mandato. Há questionamento, porém, sobre o estado de saúde do líder e sobre quem o sucederá.
A Coreia do Norte afirma que lançou no domingo um foguete levando um satélite de comunicação, que está transmitindo hinos norte-coreanos. Entretanto, EUA e Coreia do Sul afirmam que não há nenhum equipamento em órbita e que o lançamento foi realmente o teste de um míssil intercontinental. Com o apoio do Japão, eles iniciaram uma campanha no Conselho de Segurança da ONU por novas sanções ao país.
O debate na ONU por punições contra o lançamento norte-coreano vem sendo evitado. A China defendeu na terça o direito da Coreia do Norte de fazer uso pacífico de seu espaço e afirmou que o Conselho de Segurança da ONU deve ser prudente em sua reação ao lançamento de um foguete por Pyongyang no domingo. O porta-voz da chancelaria chinesa, Jiang Yu, disse ontem que o conflito tem de ser resolvido por meio da negociação entre o grupo dos seis, que reúne China, Coreia do Norte, EUA, Japão, Coreia do Sul e Rússia. As discussões estão paralisadas desde dezembro.
Os EUA defendem que o Conselho de Segurança tenha uma reação contundente contra o gesto de Pyongyang, que consideram provocativo, mas admitiram que uma solução pode levar tempo. "Isto não é algo que esperamos que seja resolvido imediatamente", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado Robert Wood. o embaixador norte-coreano na ONU, Pak Tok-hun, acusou a ONU de ser "antidemocrática" ao ter como alvo a nação comunista enquanto permite que outros países lancem satélites. Ele advertiu que Pyongyang pode adotar "duros passos" se for punido.
O governo chinês descartou nesta quarta debater o lançamento do foguete na reunião que terá com Japão e Coreia do Sul durante a cúpula de países asiáticos da região do oceano Pacífico que começará na cidade de Pattaya, na Tailândia, na próxima sexta-feira. "O assunto do satélite é específico demais e não acho que deva ser discutido no encontro trilateral", explicou em entrevista coletiva o vice-ministro de Assuntos Exteriores chinês, Hu Zhengyue.
Fonte: Estadão
