Sanções afetarão fim de programa nuclear, diz Coreia do Norte
Pyongyang ameaça boicotar negociação se ONU colocar restrições ao país por lançamento de suposto satélite
A Coreia do Norte ameaçou nesta terça-feira, 24, boicotar as negociações multilaterais sobre seu desmantelamento nuclear se a ONU impuser sanções devido ao previsto lançamento de um satélite de comunicações, informou a agência sul-coreana Yonhap. Um comunicado do Ministério de Exteriores norte-coreano qualificou de "atividade hostil" uma eventual imposição de sanções por parte do Conselho de Segurança das Nações Unidas, com base em que Pyongyang teria violado a resolução 1.718.
A Coreia do Sul, o Japão e os Estados Unidos, que formam as negociações multilaterais com a Rússia, a China e a Coreia do Norte, avisaram que o previsto lançamento de um satélite por Pyongyang, previsto para entre 4 e 8 de abril, poderia gerar sanções da ONU. A resolução 1.718 do Conselho de Segurança, aprovada após o teste nuclear da Coreia do Norte em outubro de 2006, determina que esse país suspenda as atividades relacionadas a seu programa de mísseis balísticos.
"Trataria-se de uma violação da declaração conjunta de 19 de setembro (de 2005) por parte do próprio Conselho de Segurança", afirmou o regime norte-coreano, em referência ao acordo pelo qual aceitou abandonar seu programa de armas nucleares em troca de garantias de segurança e de ajuda econômica.
O regime comunista anunciou recentemente que lançará um satélite de comunicações no início de abril, mas especialistas sul-coreanos acham que poderia ser um míssil de longo alcance. Japão, Coreia do Sul e EUA acham que um eventual lançamento norte-coreano, seja de um míssil ou de um satélite, violaria a resolução da ONU, pois a tecnologia necessária para ambos os casos é muito similar.
Enviados dos EUA, do Japão e da Coreia do Sul planejam se reunir em Washington na sexta-feira para discutir como lidar com o lançamento previsto de um foguete pela Coreia do Norte. A informação foi dada pela agência de notícias japonesa Kyodo, que não citou fontes. Os três enviados são os negociadores-chefes de seus respectivos países nas conversas em torno da desativação do programa nuclear da Coreia do Norte. A reunião de sexta-feira, segundo a Kyodo, aparentemente pretende mostrar uma posição unificada sobre o lançamento do foguete, que alguns acreditam ser o disfarce para o teste de um míssil de longo alcance.
Separadamente, o negociador-chefe da Coreia do Sul afirmou nesta terça-feira que discutirá com seu colega chinês a elaboração de planos de contingência para o caso do lançamento de um míssil pela Coreia do Norte, informou a agência sul-coreana Yonhap. "Serão discutidas basicamente as medidas antes e depois que a Coreia do Norte disparar um míssil", disse Wi Sung-lac, antes de voar para Pequim a fim de se encontrar com o vice-ministro de Relações Exteriores da China, Wu Dawei.
Fonte: Estadão
