Espanha descobre vala comum com 17 esqueletos
Uma vala comum com esqueletos de 17 republicanos foi encontrada perto de Toledo, na Espanha, mais de 70 anos depois de as vítimas terem sido fuziladas pelos franquistas, revelou nesta quinta-feira o jornal espanhol El País.
Valas comuns de republicanos assassinados pelos partidários do ditador Francisco Franco (1892-1975), que governou o país de 1939 a 1975, são regularmente encontradas na Espanha graças ao trabalho de associações de familiares de desaparecidos durante o franquismo.
Mas esta vala tem a particularidade de ser posterior ao final da Guerra Civil (1º de abril de 1939) e de conter um número relativamente importante de corpos.
Os combatentes republicanos foram assassinados em 3 de abril de 1939 depois de serem selvagemente torturados por alguns de seus vizinhos, quando voltavam da frente de batalha, informou o jornal espanhol El País, citando a associação FEFM, encarregada da exumação.
Na Espanha, existem 114 mil desaparecidos do franquismo enterrados anonimamente em valas comuns no campo, esquecidos durante os 36 anos da ditadura franquista e atualmente muito difíceis de serem encontrados.
As associações de vítima reprovam o pouco envolvimento do governo espanhol para achar as valas comuns.
No entanto, depois da chamada "lei da memória histórica", aprovada no final de 2007 para reabilitar as vítimas do franquismo, o Estado começa a se envolver mais, financiando, por exemplo, as exumações.
As tentativas do juiz Baltasar Garzón de investigar sobre os desaparecidos do franquismo resultaram em um fracasso em 2008. Ele teve de desistir de sua investigação ante a oposição da promotoria espanhola, que usou uma lei de anistia assinada em 1977, dois anos depois da morte do ditador Francisco Franco.
O juiz foi suspenso de suas funções e espera ser julgado pelo Supremo Tribunal por prevaricação e por querer investigar sobre este tema, passando por cima da anistia.
Fonte: AFP
