CBF se arma nos bastidores para possível renúncia de Marco Polo Del Nero
O presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) Marco Polo Del Nero jura que não tem nada a ver com os recentes escândalos que afetam a Fifa e seu antecessor, José Maria Marin. Na dúvida, porém, a entidade já age nos bastidores para se prevenir caso o cartola tenha que renunciar ao cargo.
A principal medida é articular a mudança do critério de sucessão de Del Nero. Hoje, a vaga seria ocupada pelo vice mais velho, o catarinense Delfim Peixoto, 74 anos, mas o dirigente não é visto como um homem de confiança pelo presidente da CBF. A ideia é que o escolhido seja outro vice-presidente, Marcos Vicente, 61 anos, que também é deputado federal.
Como isso seria feito? Através de uma assembleia extraordinária convocada para 11 de junho. Na ocasião, os 27 presidentes das federações filiadas serão convidados a mudar os critérios de sucessão. O problema é que o plano é visto como um "golpe" por Delfim Peixoto, que pretende até lutar da Justiça, se for necessário.
De acordo com o jornal "Folha de São Paulo", senadores da CPI do Futebol também estão irritados com a mudança do estatuto e prometem retaliações. "Se fizerem isso, os presidentes das federações serão chamados para depor na CPI. Vamos olhar as contas das federações e saber deles o motivo para se manter esse esquema corrompido", afirmou Zezé Perrela (PDT-MG) ao jornal.
Cartolas da CBF, claro, negam que a alteração do estatuto que define a linha de sucessão do presidente seja um golpe, alegando que tudo está sendo feito às claras.
Com previsão para ser instalada essa semana, a CPI do Futebol pretende aprofundar as investigações das denúncias envolvendo corrupção na CBF e na Fifa. Ex-presidente da entidade que comanda o futebol nacional, José Maria Marin está preso na Suíça, acusado de crimes financeiros.
