Comércio aposta nas liquidações para manter vendas aquecidas
De acordo com o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Breno Barreto, a queda nas vendas em janeiro é provocada pelas despesas de impostos como IPTU, IPVA, contas do natal, entre outros.
Após leve alta no fim de 2014, as vendas do comércio varejista voltaram a cair em janeiro. Este é o resultado do desaquecimento da economia que, segundo especialistas, é natural em todo início de ano.
De acordo com o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Breno Barreto, a queda nas vendas em janeiro é provocada pelas despesas de impostos como IPTU, IPVA, contas do natal, entre outros. Apesar de afirmar que a economia em geral é afetada, ele destaca que existem setores que são beneficiados durante este período. “A volta às aulas aquece o setor de papelaria, material escolar e lojas de fardamento. Enquanto os setores de roupa e calçados caem depois do natal”, diz.
Não é à toa, que os comerciantes abusam das liquidações no mês de janeiro. A ação é uma estratégia para reforçar as vendas de final de ano e manter aquecida a economia. “É uma forma de colocar para fora os produtos que encalharam nas prateleiras. Então, os setores de bebidas, calçados, roupas, tecnologia, materiais de construção que vendem muito no fim de ano baixam os preços para não deixar que as vendas caiam tanto”, conta o presidente da CDL.
Para o comércio varejista, 2014 foi um ano atípico. A realização da Copa do Mundo no Brasil e as eleições influenciaram na economia do país. “Apesar do aquecimento econômico durante a Copa do Mundo, o país não atingiu as expectativas econômicas durante o mundial. Houve uma frustação. As eleições acirradas para a corrida presidencial também deixaram a população ansiosa, fazendo com que as vendas se enfraquecessem”, ressalta Breno Barreto.
Vendas do fim de ano
Segundo Breno, as compras de dezembro em 2014 subiram em relação ao mesmo período de 2013. “Foi uma leve alta, uma porcentagem de 2%. No geral, nós consideramos que as vendas de fim de ano se mantiveram estáveis”, conta.
Um ponto positivo observado por economistas nas vendas no fim de 2014 foi a queda da inadimplência dos clientes em comparação com o ano anterior. Segundo o presidente da CDL, o número de registros de pessoas que saíram do SPC/SERASA foi maior do que aquelas que entraram.
Projeções para 2015
O ano que se inicia indica alguns sinalizadores que podem afetar a economia brasileira. O aumento da inflação e alta de impostos anunciados pelo governo federal devem inibir os consumidores e prejudicar as vendas do comércio.
“A tarifa de ônibus de Aracaju aumentou, o preço da gasolina irá sofrer reajuste em todo país, a energia também indica aumentos de custos. Então, tudo isso deve influenciar nas vendas, visto que os brasileiros precisam arcar com todas essas despesas”, finaliza Breno Barreto.
