Brasileiro vai à Justiça para tentar impedir uso do aplicativo Secret no país
Ação foi negada em primeira instância, mas consultor ainda quer que app desapareça das lojas
Era para ser algo divertido, mas o consultor de marketing Bruno de Freitas Machado não vê mais graça nenhuma no aplicativo Secret, que permite que seus usuários compartilhem segredos anonimamente entre sua agenda de telefones e lista de amigos do Facebook.
Machado é apenas uma entre as muitas vítimas que vêm se manifestando contra o app desde o seu lançamento no Brasil, em maio deste ano. A diferença, no entanto, é que ele resolveu levar a queixa às últimas consequências e entrar na Justiça contra Google e Apple para pedir que o Secret seja banido das lojas virtuais.
Segundo sua advogada, Gisele Arantes, do escritório Assis e Mendes Advogados, o consultor de marketing, de 25 anos, teria sido exposto de maneira vexaminosa no aplicativo — foram espalhadas fotos suas em que ele aparece nu, e compartilhadas informações que, entre outras calúnias, dariam conta de que ele participaria com frequência de orgias, além de ser portador do vírus HIV.
Na última terça-feira (12), houve um despacho do juiz responsável pelo caso determinando que, por se tratar de um interesse individual, a eliminação do aplicativo não seria possível. A advogada de Bruno, no entanto, se diz otimista com o futuro da ação.
— Entendemos que o juiz tenha agido com grande cautela, o que não é condenável e já era esperado por esta equipe, considerando que estamos tratando de um caso de grande impacto para a sociedade, contra duas gigantes da internet, e, principalmente, porque se trata um caso extremamente novo para o Judiciário, o primeiro desta dimensão e baseado no Marco Civil.
O Marco Civil da Internet é a lei aprovada em abril passado no Senado Federal e sancionado pela presidente Dilma Roussef que regula o uso da internet no Brasil prevendo direitos e deveres aos usuários da rede.
Gisele explica que a ação busca impedir que novos usuários baixem o Secret, e que aqueles que já o fizeram sejam impedidos de usá-lo. Para ela e seu cliente, o aplicativo viola a Constituição Federal em relação ao anonimato, e também o Código de Defesa do Consumidor, já que seus termos de uso e políticas não são apresentados em português.
A advogada informa que, ainda que com uma primeira resposta pouco produtiva da corte, já está “adotando outras medidas”.
— Além de tentarmos reverter esta decisão, seja com o próprio juiz, seja no Tribunal de Justiça, também atuaremos junto ao Ministério Público e por outras frentes, buscando o mais rápido resultado no sentido de cessar a utilização do aplicativo que tem gerado inúmeras vítimas, com destaque para bullying (leia matéria aqui), pornografia infantil, ofensa à honra com divulgação não autorizada de fotos e comentários ofensivos e constrangedores.
