Investigadores franceses afirmam que Airbus da Air France caiu intacto no mar
da Folha Online
O avião da Air France que fazia o voo 447 e caiu no oceano Atlântico no dia 31 de maio não se partiu em voo, e sim caiu de forma vertical na água, segundo relatório preliminar do BEA (Escritório francês de Investigação e Análise) divulgado nesta quinta-feira. A aeronave fazia a rota Rio-Paris e transportava 228 pessoas de 32 nacionalidades.
"A análise visual dos destroços do avião mostra que a aeronave não foi destruída em voo. Parece ter atingido a superfície da água em linha de voo, com forte aceleração vertical", dizem os investigadores do BEA, em nota. É o primeiro relatório --preliminar-- divulgado pelo escritório. Enquanto o resgate de corpos de destroços ficou sob responsabilidade do Brasil, a investigação é feita pela França.
Alain Bouillard, do BEA, destacou que "a deformação no assoalho do avião mostra que a aeronave tocou na água ainda inteiro e com muita velocidade. Além disso, todas as prateleiras e suportes também foram empurrados para o funo", afirmou Bouillard.
Ele ainda afirmou que coletes salva-vidas encontrados entre os destroços do avião não estavam acionados. Desde 6 de junho, foram encontrados 640 elementos do avião. "Os elementos identificados proveem de várias partes do avião", afirma o órgão.
As últimas mensagens transmitidas pela aeronave antes da queda determinaram o local de início das buscas que conseguiram resgatar destroços e 51 corpos de vitimas --35 foram identificados. Já as caixas-pretas não foram localizadas. O equipamento foi construído para emitir sinal por cerca de 30 dias após a queda, prazo já vencido. Ainda assim, investigadores acreditam que possa funcionar por mais tempo.
Bouillard afirmou que as buscas por esses equipamentos foram estendidas e vão continuar até 10 de julho.
Com a ausência dos dados da caixa-preta, as investigações do BEA estão baseadas nas mensagens automáticas enviadas pelo avião minutos antes de perder contato e em análises feitas em destroços e nos 51 corpos de passageiros resgatados.
O Airbus caiu a cerca de 1.500 km de Recife (PE), no fim da noite de 31 de maio. Às 23h14 daquele dia, o avião emitiu uma mensagem automática de despressurização e pane elétrica.
Uma das mensagens automáticas transmitidas pelo voo 447 indica que um equipamento externo emitia informações incorretas sobre a velocidade da aeronave, o que pode ter desestabilizado os sistemas de controle do avião. Inicialmente, peritos sugeriram os instrumentos externos, chamados tubos Pitot, pudessem ter congelado.
Após o acidente, a Air France substituiu o equipamento em todos os Airbus A-330 e A-340 da companhia.
Vítimas
Até agora, 35 dos 51 corpos resgatados foram identificados por uma equipe de peritos sediada no IML (Instituto de Medicina Legal) de Recife. A FAB (Força Aérea Brasileira) e a Marinha encerraram as operações de buscas por corpos de vítimas no último dia 26.
O TJ (Tribunal de Justiça) do Rio concedeu às famílias do procurador federal Carlos Eduardo Lopes de Mello e da médica Bianca Machado Cotta a antecipação da indenização pela morte do casal no voo 447. O casal partia em lua de mel para Paris, destino do Airbus. As informações são do escritório de advocacia das famílias.
De acordo com o escritório do advogado João Tancredo, que também obteve a tutela antecipada de indenização para a família do engenheiro Walter Nascimento Carrilho Junior, 42, o critério utilizado para obter antecipadamente a reparação financeira foi a mesma. Os pais das vítimas recém-casadas receberão o equivalente à pensão e para o tratamento médico psicológico, de acordo com o escritório.
Com Associated Press e France Presse
