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Brasil

Alagoas é o lugar onde se mata homossexuais com mais crueldade no país

Alagoas amarga mais um título relacionado à violência: é o estado brasileiro onde homossexuais são mortos com maior requintes de crueldade. O dado foi divulgado, na manhã desta terça-feira (24), pelo presidente do Grupo Gay de Alagoas (GGAL), Nildo Correia, durante a visita do professor Luiz Mott, considerado o decano do movimento homossexual no Brasil.

Segundo Nildo Correia, com relação ao número de assassinatos, Alagoas está entre os dez mais violentos, com o registro de 19 casos no ano passado. "O que nos preocupa é que estes números não param de crescer. Em apenas 22 dias de 2012, dois homossexuais já foram mortos em Alagoas", ressaltou.

Os dados do GGAL revelam ainda que, dos 19 assassinatos do ano passado, apenas cinco deles estão com acusados presos, entre eles o do designer Flavius Lessa, cujo réu confesso, o modelo Frederico Safadi, aguarda julgamento no Sistema Prisional.

O professor Luiz Mott apresentou números nacionais e disse que o Brasil é o país onde mais se mata homossexuais no mundo. Somente este ano, já foram 26 casos, média superior a um por dia. "É preciso um trabalho intenso, com participação das três esferas de governo, para mudar essa triste realidade. Há países da Europa, onde há anos não há registro de homicídios homofóbicos", frisou.

Luiz Mott contou que sua relação com Alagoas começou ainda na década de 80, quando ele veio ao Estado e fez uma pesquisa sobre a vida do líder negro Zumbi dos Palmares. Em sua obra, o antropólogo levantou a polêmica da possível homossexualidade do chefe do Quilombo dos Palmares.

"Ele era um líder que não tinha mulheres, o que é estranho. Já que era um privilégio do guerreiro ter várias esposas. Além disso, foi criado por um padre de Porto Calvo e tinha um apelido de Sueca. Ao ser morto, teve seus testículos e pênis colocados dentro de sua boca, o que é marca de crimes homofóbicos até hoje", explicou o pesquisador.

Antes de terminar a entrevista coletiva, Luiz Mott, pediu que a imprensa divulgasse dez dicas para homossexuais evitarem ser vítimas da violência, que estão escritas em uma cartilha elaborada pelo governo do Estado. São elas:

1 - Evite levar pessoas desconhecidas para casa, prefira frequentar hotéis, motéis e saunas;

2 - Investigue a vida da pessoa que pretende sair. Prefira pessoas indicadas por amigos;

3 - Se curtir garotos de programas, só fique depois de ter certeza de que não se sente em situação de risco, e não esconda que é gay;

4 - Nunca beba líquidos oferecidos pelo parceiro homossexual ou desconhecido;

5 - Se levar alguém para casa, não esconda do porteiro, ou de vizinhos. Eles podem ajudá-lo na hora do perigo;

6 - Não se sinta inferior. Não se mostre indefeso, evite demonstrar passividade, medo, submissão;

7 - Evite fazer programa com mais de uma pessoa. Antes do ato sexual, acerte todos os detalhes: preço, duração, preferências eróticas;

8 - Não humilhe o parceiro. Não exiba jóias, riqueza ou símbolos de superioridade que despertem cobiça;

9 - Se o encontro for na sua casa, tranque a porta e esconda a chave. Dessa forma a pessoa não saberá como fugir, em caso de agressão;

10 - Quando for agredido, procure a polícia, peça exame de corpo de delito e denucie o caso as ONGs LGBTs.

Fonte: Site TudoNaHora