Procuradoria investiga mortes de índios por falha de atendimento da Funasa
O Ministério Público Federal de Mato Grosso abriu procedimento para apurar possíveis irregularidades no atendimento à saúde prestado pela Funasa (Fundação Nacional de Saúde) aos índios da etnia xavante na terra indígena Parabubure, em Campinápolis (570 km de Cuiabá), que teriam causado a morte de 17 pessoas.
De janeiro a fevereiro deste ano, segundo denúncia encaminhada pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário), 17 índios --sendo 14 crianças-- morreram em decorrência de falhas no atendimento no polo de saúde do município, que atende a uma população estimada em 5.500 xavantes de 96 aldeias.
Segundo o Cimi, as equipes estão incompletas, faltam materiais e medicamentos básicos e a estrutura para transporte de doentes se resume a um carro. O documento entregue à Procuradoria cita o caso de duas crianças que teriam morrido por falta de um meio de remoção rápida para o hospital.
Na casa de saúde indígena (Casai) de Campinápolis, diz o Cimi, a situação é "deprimente". "Somente tem um funcionário cuidando da limpeza e uma funcionária que prepara os alimentos para atender a quase cem pessoas considerando que os doentes sempre têm seus acompanhantes."
Não há colchões em número suficiente, continua o documento, os banheiros são "extremamente precários e com mau cheiro" e as instalações elétricas e o telhado estão danificados. "Faz um ano que não se faz dedetização o que traz como consequências e uma grande quantidade de insetos como baratas e outros", diz o Cimi.
Em 2008, segundo dados da entidade, o polo registrou 54 mortes. Entre as crianças, a maioria apresentava quadros de desnutrição e pneumonia, aponta o Cimi.
Em nota, o MPF informou que um pedido de informações foi encaminhado no dia 25 ao coordenador estadual da Funasa, Marco Antônio Stangherlin. O prazo para resposta é de dez dias. A reportagem procurou o coordenador da sede da fundação em Cuiabá, mas foi informada de que ele estaria em viagem a Brasília. Foram feitas várias tentativas no número de celular do coordenador, mas ele não ligou de volta.
Fonte: Folha OnLine
