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Brasil

RJ: tráfico queria tomar Vila Cruzeiro

Após confronto, bonde de 50 criminosos não conseguiu alcançar favela vizinha ao Alemão

O ataque de traficantes ao Complexo do Alemão na noite de terça-feira (6) teve como principal objetivo desgastar a imagem do Exército, que ocupa o conjunto de favelas desde novembro passado, segundo avaliação da cúpula da segurança do governo do Rio. A ação dos criminosos, que forçaram retomada de território na Vila Cruzeiro, pegaria carona nos recentes conflitos entre militares e moradores nessas comunidades.

De acordo com setores da inteligência do Estado, um bonde de dez carros com 50 criminosos tentava chegar à Vila Cruzeiro (complexo da Penha, vizinho ao Alemão, e também ocupado pelos militares) por meio dos morros do Adeus e da Baiana. Apesar de pertencentes ao Alemão, essas comunidades não eram patrulhadas pelos militares. Após o intenso tiroteio na noite de terça que levou pânico a moradores, essas favelas passaram a ser ocupadas pela Polícia Militar que vasculha a área com a ajuda do Exército à procura dos traficantes.

Bandidos montam barricada com tampas de bueiro para impedir que a polícia entre na comunidade (Divulgação)

O grupo criminoso não conseguiu alcançar a Vila Cruzeiro, favela que dominava antes da ocupação. Durante a tentativa de invasão, houve confronto com militares e policiais e os traficantes recuaram.

Até a noite de quarta-feira (7), nenhum suspeito havia sido preso na região. Como os morros do Adeus e Baiana têm dezenas de acessos, a chance de fuga é grande.

Alemão: escalada de conflitos

Um dia após o ataque, o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, admitiu que os confrontos no Alemão foram articulados por traficantes de fora que querem retomar o controle do conjunto de favelas, conforme antecipado com exclusividade pelo R7 logo após o ataque.

Beltrame disse que a polícia já sabe o número de criminosos e de onde eles partiram, mas não quis dar mais detalhes.

Os ataques aconteceram horas após o Exército divulgar um vídeo em que mostra suposta venda de drogas no conjunto de favelas do Alemão.

A escalada da violência começou no último domingo (4), quando moradores e integrantes da Força de Pacificação se envolveram em conflito no Alemão. Segundo o comandante do Comando Militar do Leste, o general Adriano Pereira Júnior, os soldados teriam caído em uma "armadilha" ao tentar abordar dois homens flagrados vendendo drogas. Eles se esconderam no bar, onde moradores assistiam a um jogo de futebol na TV, e deram início a um tumulto.

Uma das versões iniciais era de que o tumulto teria começado porque os soldados pediram para diminuir o volume de uma TV. Moradores relatam que os militares usaram balas de borracha e spray de pimenta. O Ministério Público Federal vai investigar a atuação dos agentes. Quatro militares ficarão afastados do patrulhamento na comunidade enquanto responderem a um inquérito policial militar.

Para a Secretaria de Segurança e o Exército, traficantes estariam mobilizando os moradores do Alemão e da Penha contra os militares após o anúncio de que a Força de Pacificação permanecerá mais tempo do que o previsto no conjunto de favelas. A determinação é que a ocupação continue até julho do ano que vem, quando serão instaladas UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora).

Fonte: R7