Delegados dizem que não é atribuição da PF investigar canibalismo
Delegados da Polícia Federal afirmaram ontem que não é da atribuição da PF investigar o assassinato de um jovem não-índio em uma aldeia da etnia culina, em Envira (AM). A Polícia Civil diz que ao menos cinco índios são suspeitos de matar o jovem e de comer seus órgãos. Anteontem, a Funai (Fundação Nacional do Índio) solicitou a investigação à PF.
O inquérito está em andamento na Polícia Civil da cidade. Com base de duas testemunhas, a polícia local trabalha com a versão de que índios culinas mataram o jovem a golpes de facão e comeram seu fígado, coração e parte da coxa.
O crime aconteceu na semana passada e causou repercussão internacional. Um grupo de oito policiais foi deslocado ontem para reforçar a segurança no município.
Envira fica 1.200 km a oeste de Manaus. Como a cidade é mais próxima do Acre, no caso de uma investigação, seria destacada a PF daquele Estado.
Ontem, o superintendente interino da PF no Acre, delegado Alexandre Silveira de Oliveira, disse que a PF não tem atribuição para a investigação porque o crime não foi praticado pela tribo como um todo.
Ele citou a morte de 29 garimpeiros por índios cintas-largas em 2004 em Rondônia para exemplificar as atribuições da PF. "O crime de Envira foi praticado contra um indivíduo. É um crime comum. Não está relacionado ao grupo indígena, à etnia. Foi um grupo de pessoas sob o poder de bebidas alcoólica, que provavelmente tinha uma rixa com o rapaz."
O chefe da delegacia de defesa institucional da PF de Manaus, delegado Pablo Souza, disse que o crime em Envira é um homicídio isolado.
"Nossa atribuição constitucional não abrange investigação de qualquer delito cometido por um índio ou contra um índio, mas sim na coletividade indígena como um todo".
A Funai foi contatada ontem para informar se mantinha a solicitação à PF, mas nenhum responsável foi localizado e ninguém ligou de volta.
Fonte: Folha OnLine
