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Sergipe

314 alunos ficam sem assistência ambulatorial e padagógica

O setor de fisioterapia, um dos mais movimentados da Apae, estava hoje vazio. A atividade também foi suspensa por falta de verbas (Douglas Magalhães)

Após 40 anos de atividades, a Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Aracaju fecha as portas. Por falta de recursos financeiros, a entidade suspendeu as atividades ambulatoriais e pedagógicas a partir de hoje (27). Com a medida 314 alunos, acometidos por síndrome de down, paralisia múltiplas e deficiência intelectual deixam de ser assistidos.
De acordo com o presidente da entidade, Homero Felizola, há quatro meses a folha de pagamento dos funcionários não é paga. O débito chega a R$ 128 mil. Atualmente, a instituição recebe suporte financeiro de R$ 5 mil/mês oriundos de convênios federais. "Nossa despesa mensal é de R$ 62 mil", contabiliza Homero.
"Todos os funcionários são pagos pela APAE e esta é nossa grande luta. A folha de pagamento representa 50% das nossas despesas mensais. Os funcionários estavam vindo trabalhar por amor, porque só estavam recebendo o vale-transporte", explica Isaildes Maria Ribeiro, assistente social da Apae.

Presidente da Apae, HOmero Felizola: "É lamentável ser obrigado a suspender assistência a quem tanto precisa de nosso apoio". (Douglas Magalhães)

A Apae, que completa 41 anos no dia 21 de agosto deste ano, possuem uma equipe especializada formada por fisioterapeuta, fonoaudióloga e um corpo pedagógico com especialização em crianças especiais. "Tivemos que suspender todas as atividades ambulatoriais e pedagógicas, apenas a parte administrativa está funcionando", afirma a assistente social ao ressaltar que a decisão de fechar foi confirmada em reunião realizada na sexta-feira (24).

Pais apreensivos

O fechamento da entidade pegou muitos pais de surpresa nesta segunda-feira (27). É que muitos alunos são do interior do Estado. "A Apae de Aracaju não se limita apenas ao atendimento na capital, temos alunos de 17 municípios", afirma Homero Felizola.
Para a dona de casa, Maria Aparecida, o fechamento foi uma surpresa. "Já sabia da situação crítica da Apae, mas tinha esperança de que tudo fosse resolvido. É lamentável, pois não temos a quem recorrer. A assistência prestada pela Apae é única. É uma assistência especializada. A Apae merece respeito e valorização pelo trabalho que faz", enfatiza ela.

Doações

A direção afirma que está buscando alternativas para retomar as atividades, mas admite que não há uma previsão otimista para que isso ocorra num curto espaço de tempo. "Vamos realizar alguns shows para obter recursos. Esperamos que a sociedade colabore", disse Homero.
Quem quiser ajudar deve entrar em contato com a direção da Apae. A instituição fica na Rua Curitiba, 379, próximo ao campo do Confiança, no bairro Industrial. As doações também podem ser feitas através do telefone 3215-6057.