Todos os dias é dia do Índio, dia 19 é mais um deles!
Face pintada, pés descalços, com penas na cabeça e uma flecha ou lança na mão. É assim que, na avaliação de estudiosos, o povo reconhece o índio no Brasil. De acordo com os defensores da causa indígena, o Dia do Índio, é uma data que se aproxima do folclore.
Kariri-xocó (Divulgação)
A data de hoje(19) é lembrada nas cidades e escolas, sobretudo particulares, serve mais para estereotipar o índio enquanto ser que existiu, relegando-o ao passado, como se na sociedade de hoje não fosse mais possível de encontrá-lo.
índios (Divulgação)
"O que é mostrado para as crianças são os índios com caras pintadas, o índio que habitou o Brasil, que os portugueses encontraram. Não se fala dos povos que estão aí em busca de dignidade, que foram massacrados, que perderam suas terras e lutam por sobrevivência", frisa o antropologa Maria do Rosário.
Para ela, todo ano é a mesma coisa no Dia do Índio. "Essa entrevista mesmo eu dou todo ano na semana antes da data, que só serve mesmo para o grito de guerra ser maior, pois é quando a voz dos índios soa mais alto. Mas, de resto, há muita coisa a ser conquistada", disse.
Governo
Às vésperas do Dia do Índio, que será comemorado nesse domingo (19), o governo anunciou uma série de medidas destinadas a melhorar as condições de vida dos indígenas. O pacote mais vistoso foi a extensão até as aldeias do programa Mais Cultura. Por meio de um convênio entre a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Ministério da Cultura, serão criados 150 pontos culturais indígenas, com objetivo de reforçar as tradições orais das comunidades, favorecer o acesso à internet e estimular a produção de vídeos.
índios (Divulgação)
Na primeira etapa serão implantados 30 pontos, todos na Região Norte. Desse conjunto, cinco ficarão na Terra Indígena Raposa Serra do Sol - cuja demarcação foi definida recentemente pelo Supremo Tribunal Federal. O governo também pretende anunciar medidas na área de atenção à saúde - o ponto mais crítico do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na área indígena. Já foi decidido há algum tempo que os índios não serão mais atendidos pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), como ocorre atualmente, e que eles terão uma secretaria, constituída especialmente para isso.
índios (Divulgação)
Indios em Sergipe
Os Kariri-Xocó estão localizados na região do baixo São Francisco, no município alagoano de Porto Real do Colégio, cuja sede fica em frente à cidade sergipana de Propriá. As duas cidades estão ligadas pela ponte que serve de eixo entre a região sul e o nordeste brasileiro, como parte da BR-101. A aldeia e o posto indígena estão cerca de um quilômetro da praça central da cidade. Representam, na realidade, o que resta da fusão de vários grupos tribais depois de séculos de aldeamento e catequese.
Seu cotidiano é muito semelhante ao das populações rurais de baixa renda que vendem sua força de trabalho nas diferentes atividades agro-pecuárias da região. Contudo, pode-se dizer que é um grupo que tem sua indianidade preservada pela manutenção do ritual do Ouricuri. Em novembro de 1978 esta identidade foi revitalizada pela retomada da Fazenda Modelo ou Sementeira, então administrada pela Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (CODEVASF) e por eles considerada parte de seu território ancestral. Esta conquista estimulou uma política de reformulação positiva de sua identidade, quer como "índio" (genérico), quer como Kariri-Xocó.
Com dados de Mário Bittencurt e Vera Lúcia Calheiros
