A criança de dez anos encontrada após fugir de casa, na Zona Norte de Aracaju, tinha medo de retornar para a família adotiva. A declaração foi dada por uma representante do Conselho Tutelar durante entrevista exclusiva ao Cidade Alerta Sergipe nesta segunda-feira (11).

Segundo Silvânia Santos, a menina estava perambulando na rua quando foi acolhida por um homem que trabalha como catador de materiais recicláveis e abrigada pela mãe dele. "Ele é um herói e faz parte de uma família humilde, com bom caráter. Infelizmente estava sendo divulgado que ele havia sequestrado a criança, mas não. Ela poderia estar passando por todo tipo de perigo e ele ajudou a levá-la ao Conselho Tutelar na Barra dos Coqueiros", disse.

Ainda de acordo com a conselheira, a criança está bem e foi encaminhada ao Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV), onde ocorreu a ouvida especializada. Ela ficará em uma estação de acolhimento até a conclusão das investigações. "Estamos apurando uma suposta violação sexual e dos direitos dela no âmbito familiar. Ela é muito inteligente, tem muita segurança em tudo que relatou", afirma.

Desaparecimento

A criança desapareceu durante a madrugada do último domingo (10), após ser vista pela última vez antes de dormir e sair de casa sozinha. Os pais dela teriam acordado ao ouvir disparos de arma de fogo em uma seresta nas proximidades da residência e perceberam a ausência da filha dentro do quarto. A porta de entrada do imóvel estava entreaberta, com a chave na fechadura.

A Redação do Portal A8SE teve acesso a uma imagem registrada por uma câmera de monitoramento, que mostrava a menina caminhando e carregando uma mochila infantil, contendo livros e cadernos, sendo acompanhada pelo homem desconhecido.

O rapaz foi identificado como Luiz Anselmo Souza Santos, 32 anos, e prestou depoimento à Polícia Civil. Sem emprego formal há cerca de seis anos, ele viveu um pesadelo ao ser suspeito de sequestrar a criança. Inocentado, ele contou sua versão com exclusividade ao Portal A8SE e TV Atalaia.

Luiz relatou que estava catando latinhas e garrafas, quando avistou a menina sozinha na rua e perguntou o que ela fazia ali. Ela pediu socorro, relatou ser vítima de violência sexual e implorou que não levasse de volta para casa. Assim, ele pegou a criança e entregou para própria mãe, que deu banho, comida e cuidou da garota. Ainda nas primeiras horas da manhã, a mulher saiu para buscar o Conselho Tutelar.

Inocência

O delegado Ronaldo Marinho, responsável pelo inquérito, afirmou que o homem temia pela segurança da criança após relatos de violência sexual e pediu ajuda à própria mãe, que saiu cedo no dia seguinte e, no local onde se alimenta, conseguiu apoio de ajudantes voluntários. "As pessoas a levaram ao Conselho Tutelar. A criança está protegida e fora de perigo, tendo todo o atendimento psicológico e social", constata.

Ainda segundo ele, a ação do cidadão evitou que a criança passasse por ainda mais situações perigosas. "Ele acabou salvando a criança de um mal maior que poderia ter acontecido com ela sozinha, retirando-a da rua, onde ela dormiu e foi bem tratada", evidenciou.

As investigações continuam para apurar as circunstâncias que levaram a criança a sair de casa na madrugada.